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21/04 - Professor usa fake news para ensinar ciência na escola
Em Ourinhos (SP), projeto com coleta de notícias falsas levanta debate sobre como buscar fontes confiáveis para checar fatos antes de compartilhá-los. Alunos de Ourinhos (SP) estão levantando notícias de cunho duvidoso para serem analisadas com base em métodos científicos Arquivo pessoal/ Estêvão Zilioli Alvo de debate ao redor do mundo por seu possível impacto na democracia, as fake news - notícias inventadas geralmente com o objetivo de viralizar na internet e influenciar consumidores e eleitores - têm sido usadas em uma escola particular do interior paulista para ensinar pensamento crítico e pesquisa científica. A iniciativa é do professor de ciências Estêvão Zilioli, de Ourinhos (a 360 km de São Paulo), que desenvolveu um curso semanal voluntário no contraturno para alunos do ensino médio. Os próprios estudantes buscam as notícias de cunho duvidoso para análise em sala de aula. A ideia é que eles próprios se perguntem: essa notícia tem fontes e dados confiáveis? Merece ser acreditada - e compartilhada? "Eles trazem as notícias das quais ficam desconfiados. Começamos com notícias de ciências e saúde, mas os alunos se interessaram também por notícias de entretenimento e política, por estarmos em um ano eleitoral", conta Zilioli à BBC Brasil. "O método de checagem é o mesmo para todas: buscar informações de fontes confiáveis. Estou falando de método científico, de busca de informações seguras que possam ser demonstradas, até para eles entenderem que não é simples provar as coisas." A aula se centra em discutir as notícias e em encontrar formas de checar as informações online - buscando as fontes originais dos fatos ou pesquisando em artigos acadêmicos, periódicos científicos, IBGE e sites de tribunais eleitorais, por exemplo. Entre as notícias já analisadas, estão: Uma de que frutas ingeridas em jejum curam câncer, que os alunos perceberam que não tinha fontes seguras para garantir a afirmação do título; A de uma mãe que teria aplicado botox na filha pequena (os jovens foram atrás das imagens da mãe, que é participante de um reality show nos EUA, e estão tentando tirar suas próprias conclusões pelos vídeos); Uma do cientista Stephen Hawking, morto em março, falando sobre vida extraterrestre (os alunos descobriram que a notícia em si não era falsa, mas tinha um título exagerado); Uma de que o juiz Sergio Moro seria orador em cerimônia de universidade americana, a qual, apesar de ter algumas informações verdadeiras, trazia declarações falsamente atribuídas a um pesquisador da instituição; Uma sobre terraplanismo, difícil de ser analisada justamente por colocar em xeque premissas científicas. Alunos vão compilar notícias em um site - 'Hoax Busters', ou 'Caça-boatos' - com um termômetro indicando o grau de veracidade Arquivo pessoal/ Estêvão Zilioli As nuances das notícias têm sido úteis para os alunos entenderem a categorizá-las, diz Zilioli. "Vimos que há notícias falsas, mas também as que são baseadas em fatos verdadeiros, porém com títulos exagerados ou sensacionalistas", explica o professor, notando uma mudança no comportamento dos estudantes. "Eles já estão mais treinados a ver o que é falso ou não do que recebem do grupo da família (no WhatsApp) e pensam duas vezes antes de acreditar. Antes, se uma matéria era compartilhada muitas vezes, eles achavam que necessariamente era real. Agora, estão percebendo que esse critério numérico não vale. E mesmo que eles percebam logo de cara que a notícia é fake, têm de confirmar isso com a metodologia." A ideia fez o professor ser selecionado para o projeto Inovadores, do Google, que o ajudou a idealizar um site - batizado pelos alunos de Ourinhos de HoaxBusters, ou Caça-boatos -, que terá uma espécie de "termômetro" para identificar o quanto cada notícia analisada tem de veracidade. As aulas vêm ajudando a estudante Giovana Domiciano Sanches, 16, a identificar notícias falsas que circulam nos grupos virtuais nas e redes sociais. "Algumas são notícias velhas - quando vamos checar as datas e horários, vemos que tem gente que posta links de 2013, por exemplo", conta Giovana à BBC Brasil. "Pensando em como o mundo avançou, com os meios de comunicação e a eleição do (presidente americano Donald) Trump, é importante para a gente saber como verificar as informações e compartilhar só depois de ver o conteúdo na íntegra, não só pelas chamadas."
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20/04 - Série de reportagens do RJTV mostra o impacto da crise nas escolas estaduais do Rio
Três reportagens mostraram problemas como abandono estrutural e falta de professores. O RJTV publicou essa semana uma série de três reportagens sobre os impactos da crise que o Rio de Janeiro passa sobre as escolas estaduais. Confira, abaixo, os três capítulos: Problemas na rede estadual deixam alunos sem escola no Rio Problemas na rede estadual deixam alunos sem escola no Rio Cerca de 200 escolas tiveram fechamentos de turnos e turmas entre 2016 e 2017. Só no ensino médio, 110 mil matrículas foram extintas em dez anos. No mesmo período, a rede estadual perdeu 384 escolas. Pelo menos 30 estão completamente abandonadas Mais da metade das escolas estaduais do Rio precisa de reforma estrutural Mais da metade das escolas estaduais do Rio precisa de reforma estrtutural Alunos estudam em locais sem limpeza, sem segurança e sem conforto. Na última década, 98% dos investimentos em Educação foram cortados no Estado. Apenas 4% dos investimentos previstos em 2017 foram realmente feitos. Falta professor de pelo menos uma matéria em 800 escolas da rede estadual do RJ Falta professor de pelo menos uma matéria em 800 escolas da rede estadual do RJ Número representa 64% do total de escolas, segundo levantamento do Ministério Público. O RJ2 mostra a rotina dos estudantes sem aula e o que eles sonham para o futuro
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20/04 - Polícia francesa esvazia universidade de Paris ocupada por estudantes
Dezenas de estudantes ocupavam a universidade parisiense de Tolbiac, um local emblemático da mobilização contra uma reforma do ensino defendida pelo presidente Emmanuel Macron. Polícia francesa realiza desocupação de universidade A polícia francesa retirou nesta sexta-feira (20) dezenas de estudantes que ocupavam a universidade parisiense de Tolbiac, um local emblemático da mobilização contra uma reforma do ensino defendida pelo presidente Emmanuel Macron. Os policiais entraram no prédio de 22 andares ao sul de Paris às 5H00. O local estava ocupado por dezenas de estudantes desde 26 de março. Alguns estudantes saíram de modo voluntário, enquanto outros atiraram garrafas e vários objetos contra os policiais. Uma pessoa foi presa por desacato. A intervenção das forças de segurança havia sido solicitada pelo reitor da universidade, Georges Haddad, que estava preocupado com a situação depois que foram encontrados coquetéis molotov no centro de ensino. A polícia informou que a operação ocorreu "sem incidentes". O reitor afirmou que as três semanas de ocupação provocaram prejuízos de centenas de milhares de euros, que custarão muito caro à universidade e ao contribuinte. Estudantes franceses começaram a ocupar universidades e março para protestar contra a reforma educacional de Macron, que quer conceder às universidades públicas o poder de estabelecer critérios de admissão. Para os estudantes, essa reforma é um primeiro passo para um sistema de seleção até agora tabu no país da "educação gratuita para todos".
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20/04 - MPF pede na Justiça que UFG suspenda imediatamente curso que trata o impeachment de Dilma como 'golpe'
Procuradores alegam que atividade é feita sob um único ponto de vista. Universidade criou curso após ministro da Educação pedir suspensão de disciplina semelhante, na UnB. Curso de extensão na UFG trata impeachment de Dilma Rousseff como 'golpe' UFG/Reprodução O Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) entrou com uma ação civil pública, na quinta-feira (19), pedindo que a Universidade Federal de Goiás (UFG) suspenda o curso de extensão que trata o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como “Golpe de 2016”. O MPF alega que a atividade é feita sob um ponto de vista “monocular”, sem “contemplar a amplitude da reflexão e do debate necessários”. A assessoria de comunicação da UFG informou, por meio de nota, que "ainda não foi notificada sobre a ação civil pública acerca da disciplina". Ainda conforme o texto, a universidade afirma que "assim que for notificada e tomar conhecimento do teor do processo, prestará todos os esclarecimentos necessários". No documento do MPF, consta que o reitor Edward Madureira Brasil e a vice-reitora, Sandramara Martins Chaves, informaram aos procuradores que o curso se tratava de uma “resposta” da universidade ao fato do ministro da Educação, Mendonça Filho, ter pedido a suspensão da disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, ministrada pela Universidade de Brasília (UnB). “O curso não foi criado com a finalidade de, verdadeiramente, refletir a respeito da conjuntura sócio-política atual, mas como uma resposta política das universidades contra aquilo que entendem ser uma violação à autonomia universitária cometida pelo Ministro de Estado da Educação” “Releva notar que não se tem notícia no País de nenhum curso similar discutindo, por exemplo, 'O golpe de 1992 e o impeachment do Presidente Fernando Collor'", diz o texto da ação. A ação civil pública foi protocolada na quinta-feira, na 3ª Vara da Justiça Federal em Goiás pelos procuradores da República Mariane de Mello Oliveira e Rafael Perissé Rodrigues Barbosa. O pedido foi feito em tutela de urgência e, além da suspensão imediata do, pediu que a UFG inclua e represente por “diversas correntes de pensamento”, caso realize cursos ou eventos futuros sobre o impeachment de Dilma Rousseff. “Tal proposta, no atual contexto em que se encontra o país, está a demonstrar a articulação de forças político-ideológicas no seio da UFG com a finalidade precípua de participar e influir diretamente nas atividades políticas que se desenrolarão neste ano eleitoral, o que também vem ocasionando o repúdio de expressiva parcela da sociedade brasileira”, defendem os procuradores. Conforme o documento, caso a UFG deixe de suspender o curso, deverá pagar multa diária de R$ 5 mil, ou R$ 10 mil, caso promova outros cursos ou eventos aos moldes do evento em questão. O Ministério da Educação (MEC) informou ao G1 que não comenta sobre ações de outros orgãos. Dilma Rousseff sofreu impeachment em 2016, e foi substituída pelo vice, Michel Temer BBC Brasil Investigação O MPF começou a apurar se o curso tinha caráter de propaganda político-partidária ao Partido dos Trabalhadores (PT), em março deste ano. O procedimento questionou o caráter acadêmico da disciplina, bem como se ela contrariava princípios legais, morais e da administração pública. A presidente do PT em Goiás, Kátia Maria dos Santos, disse, à época, que o partido “não tem nenhum envolvimento na organização do curso” e que não foi consultado em momento algum para a elaboração da disciplina. No posicionamento, a presidente do disse ainda que não vê o debate como defesa partidária. “Não acho que é defender partido ou bandeiras partidárias. A UFG está cumprindo com o seu papel de levantar o contraditório. Até onde entendi, é um curso aberto, onde pessoas que concordam ou discordam que seja um golpe podem participar, levando sua contribuição e formulando juntos o saber”, afirmou. Ministério Público Federal de Goiás Reprodução/TV Anhanguera 'Golpe' O ciclo de debates foi criado após o Ministério da Educação (MEC) se manifestar contra uma matéria ofertada pela Universidade de Brasília (UnB), que chamava o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff de “golpe”. O curso de extensão que trata o impeachment de Dilma Rousseff como “golpe”, na UFG, começou no último dia 16 de março, na Faculdade de Educação, que fica no Setor Universitário, em Goiânia. Os encontros são voltados tanto para estudantes da instituição, como também são abertos à comunidade. Entre os temas estão a relação do “Golpe de 2016” com o “financiamento e autonomia universitária“, “os movimentos de direita”, “as ameaças ao futuro da escola pública”, “a mídia” e “as reformas neoliberais”. O impeachment de Dilma Rousseff foi aprovado pelo Senado Federal no dia 31 de agosto de 2016, por 61 votos favoráveis e 20 contrários. A ex-presidente foi condenada sob a acusação de ter cometido crimes de responsabilidade fiscal – as chamadas "pedaladas fiscais" no Plano Safra e os decretos que geraram gastos sem autorização do Congresso Nacional. Em entrevista ao G1, o professor Adão José Peixoto, responsável pelo curso na UFG, disse que o fato do MEC ter questionado o conteúdo oferecido em uma instituição de ensino superior foi algo “antidemocrático”, e que levantou a discussão sobre o assunto em outras universidades. Na ocasião, o MEC informou, por meio de nota, que o curso é feito "sem base científica" e faz "possível proselitismo político e ideológico do PT e do lulismo". Disse ainda que, ao pedir investigação do MPF, o ministro cumpriu "o papel constitucional de solicitar apuração do bom uso de recursos públicos". Segundo o professor, o curso vai fazer uma relação da forma como a presidente foi retirada do poder, com medidas que têm sido propostas pelo governo de Michel Temer. Para Adão Peixoto, o curso é uma forma de manifestar a liberdade de pensamento que permeia o universo acadêmico. Segundo ele, o fato de um ciclo de debates feito pela UFG tratar o impeachment como golpe não tira o direito de, caso haja interesse de algum professor ou estudante, outra modalidade de disciplina ou curso poder expor o contrário. Além do curso de extensão ofertado na Faculdade de Educação, em Goiânia, uma disciplina de núcleo livre, que é como são chamadas matérias que podem ser cursadas por estudantes da universidade que estejam qualquer curso, também vai tratar o impeachment de Dilma Rousseff como “golpe”. Campus Samambaia da Universidade Federal de Goiás em Goiânia Divulgação/UFG Veja outras notícias da região no G1 Goiás.
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20/04 - Unicamp 2019: Prazo para pedido de isenção em taxa do vestibular começa nesta sexta-feira; veja critérios
Universidade concederá pelo menos 6,7 mil benefícios em três modalidades. Solicitação deve ser feita em página de comissão e calendário das provas será definido até o fim de abril. Prova da primeira fase do vestibular da Unicamp de 2018, em Campinas Priscilla Geremias/G1 A Unicamp recebe a partir desta sexta-feira (20) os pedidos de isenção na taxa de inscrição do vestibular 2019 - o valor será divulgado junto com o edital em julho-. Eles devem ser feitos pela página da comissão organizadora (Comvest), até 21 de maio, e a universidade também exige envio de documentos previstos em edital. Ao todo, três modalidades serão contempladas para concessão do benefício: Candidatos provenientes de famílias de baixa renda (até um salário mínimo e meio bruto mensal por morador do domicílio); Funcionários da Unicamp/Funcamp; Candidatos aos cursos de licenciatura em período noturno (ciências biológicas, física, letras, licenciatura integrada química/física, matemática e pedagogia). Entre os pré-requisitos estabelecidos pela Unicamp estão: Ter cursado o ensino médio integralmente em instituições da rede pública (1 e 2); Ser residente e domiciliado no estado de São Paulo e já ter concluído/concluir em 2018 o ensino médio. De acordo com a Comvest, serão oferecidas 6,6 mil isenções na primeira modalidade; 100 na segunda e número ilimitado na terceira. A lista de contemplados será divulgada em 23 de julho. Na edição 2018, a universidade concedeu 8,6 mil benefícios, alta de 15,6% no comparativo com estatísticas do ano anterior. Com isso, ela registrou recorde no total de inscritos e crescimento de 38% na quantidade de matriculados com renda familiar de até dois salários. Contemplados Quem for beneficiado, segundo a Unicamp, receberá um comunicado a partir de 23 de julho, exclusivamente via correio eletrônico. A universidade ressalta que a isenção não representa inscrição automática no vestibular 2019 - a ser feita posteriormente com uso de um código. A instituição destacou que o calendário com as datas de inscrição e provas do vestibular será definido até o fim de abril. Dúvidas podem ser esclarecidas na página da Comvest. Inclusão social A Unicamp registrou diminuição de estudantes da rede pública aprovados no vestibular 2018 e ficou abaixo da meta de receber 50% dos ingressantes nesta classificação, segundo a Comvest. Por outro lado, houve recorde de matriculados autodeclarados pretos, pardos e indígenas. Para alcançar este objetivo - por curso e turno - e buscar índice de 37,5% de autodeclarados pretos, pardos e indígenas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Unicamp implementará, a partir desta edição, cotas étnico-raciais e outras mudanças, como a criação de um vestibular indígena e vagas extras para destaques em olimpíadas. Confira detalhes. De acordo com site da Unicamp, atualmente há 34,6 mil alunos matriculados nos cursos de graduação e pós oferecidos nos campi de Campinas (SP), Limeira (SP) e Piracicaba (SP). Veja mais notícias da região no G1 Campinas.
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20/04 - Ataques a tiros em escolas nos EUA explodiram em 20 anos, aponta estudo
Nos últimos 18 anos, mais pessoas foram mortas nesse tipo de ocorrência do que em todo o século 20. Neste século, 77% dos ataques foram conduzidos por adolescentes com idades entre 11 e 18 anos. Equipe atende vítima de atirador em escola de Parkland, na Flórida, em 14 de fevereiro John McCall/South Florida Sun-Sentinel via AP) Ataques a tiros em escolas americanas estão se alastrando rapidamente, matando mais pessoas nos últimos 18 anos que em todo o século 20, apontou uma pesquisa da Revista de Estudos da Criança e da Família. O estudo analisou ataques a tiros em massa - eventos nos quais pelo menos um atirador matou ou feriu intencionalmente pelo menos quatro outras pessoas - e as taxas de mortalidade em escolas americanas para crianças e adolescentes de 5 a 18 anos desde 1940. Foram desconsiderados tiroteios envolvendo gangues, ou ataques em universidades. "Os Estados Unidos não tinham ataques que se encaixassem em nosso critério até 1940, quando o diretor júnior de uma escola de Ensino Médio matou o superintendente, o diretor, o gerente de negócios do distrito e dois professores, antes de tentar se matar, porque achava que seria demitido ao fim do ano letivo", afirma o estudo. Os pesquisadores não encontraram ataques a tiros nos anos 50 e 60, seguidos de "um crescimento estável iniciado com um ataque a tiros em 1979 orquestrado por uma adolescente de 16 anos com deficiências mentais, que começou o ataque em uma escola primária, matando dois adultos e ferindo oito estudantes e um adulto ", explica. Desde então, os anos 90 foram um pico, quando 36 pessoas foram mortas em 13 ataques com armas de fogo, aponta. Entre 2000 e 2018, pesquisadores somaram 66 mortes em 22 ataques a tiros em massa em escolas. O volume é mais alto que os 55 mortos em 22 ataques nas seis décadas de 1940 a 1999. "Em menos de 18 anos, já vimos mais mortes relacionadas a ataques a tiros em escolas que em todo o século 20", disse o autor principal, Antonis Katsiyannis, da Clemson University. "Uma tendência alarmante é que a ampla maioria dos atiradores do século 21 eram adolescentes. Isso sugere que hoje é mais fácil para eles terem acesso a armas e que eles sofrem mais frequentemente de deficiências mentais ou capacidades limitadas de resolução de conflitos". Sessenta porcento dos ataques a tiros em escolas nos Estados Unidos no século 20 foram conduzidos por adolescentes com idades entre 11 e 18 anos. No século atual, foram 77%. O estudo alertou que o número de mortes e de tiroteios não oferecem uma ligação clara para "mais problemas de adolescentes, ou armas de alta potência, como causalidade", mas disse que "as tendências devem ser observadas". A violência com armas de fogo no país é uma "epidemia, que deve ser resolvida", conclui o estudo. A pesquisa pede maior pesquisa de antecedentes, proibição de armas de assalto e maior apoio para tratamentos psiquiátricos.
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19/04 - Ocupação da UnB: em audiência sem MEC, alunos decidem permanecer na reitoria
Ministério não enviou ninguém para discutir orçamento em mesa aberta. Prédio administrativo está ocupado há uma semana. Estudantes, servidores e gestores da UnB durante mesa pública sobre orçamento Marília Marques/G1 Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) decidiram, nesta quinta-feira (19), manter a ocupação iniciada há uma semana no prédio da reitoria. Desde o dia 12, funcionários e gestores estão impedidos de acessar as salas. O grupo de alunos pede acesso ao orçamento e revogação do plano de demissões motivado pela crise. A decisão foi tomada após uma mesa pública entre a reitoria e estudantes da UnB, na Faculdade de Direito, no início da tarde. Convidado para o debate sobre orçamento, o Ministério da Educação não enviou representante. A ausência gerou revolta entre os quase 300 alunos e servidores presentes no auditório. Na mesa, a comissão eleitoral – que representa os estudantes ocupados – afirmou que a “única saída é a greve geral." “Enquanto o MEC não nos responder, e as reivindicações não forem aceitas, continuaremos [a ocupação], isso é inegociável”, afirmou o estudante responsável pela comissão de articulação do movimento “Ocupa UnB”, que preferiu não se identicar. Ele diz ter “medo de represálias". A perspectiva é de que a ocupação seja mantida, pelo menos, até a próxima terça-feira (24), quando uma nova assembleia está marcada. Reitoria da UnB fechada por estudantes durante ocupação TV Globo/Reprodução O que diz a UnB Na mesa, a reitora Márcia Abrahão lembrou o aniversário de 56 anos de criação da Universidade de Brasília, comemorado no próximo sábado (21). Sobre o congelamento do orçamento federal que seria enviado à UnB, a professora citou o fato de a assistência estudantil estar “praticamente congelada” na instituição. A consequência, segundo ela, é o "aumento da vulnerabilidade socioeconômica". Durante o discurso, mesmo pressionada pelo coro dos estudantes, Márcia não comentou a demissão em massa dos servidores. Entenda por que a UnB não pode gastar todo o dinheiro que arrecada MEC ausente O G1 questionou ao MEC os motivos da ausência à mesa pública. O horário e o local do evento foram definidos em uma reunião fechada entre o ministério e a reitoria, na última segunda, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Em nota, o ministério afirmou que “tem mantido diálogo aberto e direto com os estudantes e com toda a sociedade” sobre a situação da UnB. O texto não informa por que nenhum gestor da pasta foi enviado à audiência. “O ministério tem contribuído com as negociações, disponibilizando as informações orçamentárias e tratando o assunto com total transparência.” Ocupação mantida Nesta segunda, cerca de 150 estudantes ainda ocupavam as dependências da reitoria. Desde a última quinta, a reitora Márcia Abrahão, os decanos e as equipes que trabalham no prédio não têm acesso às salas. Até o fim de semana, segundo os próprios gestores, nenhum pagamento ou contrato tinha sido prejudicado. Os alunos protestam contra a crise financeira que a universidade enfrenta. O grupo afirma que a queda no orçamento foi causada pela PEC 55, que limita os gastos federais à inflação do ano anterior. Após ocupação, reitora da UnB assina acordo de 'não penalização' A universidade alega que dos R$ 168 milhões arrecadados com aluguel de imóveis próprios, entre outras receitas, apenas R$ 110 milhões podem ser utilizados. O restante do dinheiro iria diretamente para os cofres da União. Por isso, medidas de austeridade como aumento dos preços do Restaurante Universitário e demissão de estagiários e terceirizados seriam tomadas. Já o Ministério da Educação afirmou que o orçamento da UnB subiu de R$ 1,66 bilhão em 2017 para R$ 1,73 bilhão em 2018, e que a administração da universidade deveria otimizar os recursos recebidos. Veja mais notícias sobre a região no G1 DF.
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19/04 - Por que 19 de abril virou dia do índio
A data foi oficializada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, após muita insistência do descendente indígena Marechal Rondon e três anos depois da instituição do dia comemorativo em um congresso realizado no México. Dados do Censo Demográfico de 1991 a 2010 sobre a população indígena e não indígena IBGE O dia 19 de abril é conhecido no Brasil todo como o "dia do índio", e essa data não foi escolhida à toa. Sua origem remete a um protesto dos povos indígenas do continente americano ainda na década de 1940, quando um congresso organizado no México se propôs a debater medidas para proteger os índios no território. O Congresso Indigenista Intramericano, realizado em Patzcuaro, aconteceu entre os dias 14 e 24 de abril de 1940. Em princípio, os representantes indígenas haviam se negado a participar do evento, achando que não teriam voz ou vez nas reuniões - que seriam comandadas por líderes políticos dos países participantes. Os índios, então, fizeram um boicote nos primeiros dias, mas, justamente no dia 19 de abril, decidiram aparecer no congresso para tomar parte nas discussões. Foi por conta disso que a data escolhida para celebrar o dia do índio acabou sendo essa. Eram 55 delegações oficiais no México. Das Américas, somente Paraguai, Haiti e Canadá ficaram de fora. Entre os índios, eram 47 representates dos povos de todo o continente - no caso do Brasil, o delegado enviado foi Edgar Roquette-Pinto, que não era índio, mas foi antropólogo, etnólogo e estudioso de povos indígenas da Serra do Norte, na Amazônia. Com o fim do Congresso, foram definidas algumas medidas genéricas a serem tomadas em favor da defesa dos povos indígenas. Entre elas, estavam o "respeito à igualdade de direitos e oportunidades para todos os grupos da população da América", "respeito por valores positivos de sua identidade histórica e cultural a fim de melhorar situação econômica", "adoção do indigenismo como política de Estado", e, por último, estabelecer "o Dia do Aborígene Americano em 19 de abril". Não foram todos os países que adotaram a data como dia de celebração da cultura indígena - e no Brasil ele também levou tempo a ser oficializado, já que o país não aderiu às deliberações do congresso. Somente em 1943 foi instituído decreto-lei instituído pelo presidente Getúlio Vargas, que finalmente estabeleceu a data comemorativa. O responsável por convencê-lo foi o general Marechal Rondon - que tinha origem indígena por seus bisavós e chegou a criar, em 1910, o Serviço de Proteção ao Índio - que depois viria a se tornar a atual Funai (Fundação Nacional do Índio). "O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição, e tendo em vista que o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, reunido no México, em 1940, propôs aos países da América a adoção da data de 19 de abril para o 'Dia do Índio', decreta: Art. 1º - considerado - 'Dia do Índio' - a data de 19 de abril. Art. 2º- Revogam-se as disposições em contrário", dizia o decreto. Além do Brasil, Costa Rica e Argentina também adotaram a data. Do Congresso, saiu também a criação do Instituto Indigenista Intramericano, que se tornou um órgão vinculado à OEA (Organização dos Estados Americanos) em 1953. Depois dele, aconteceram mais 11 edições, sendo a última em 1999, na Cidade do México. Situação dos índios no Brasil Segundo o censo demográfico mais recente do IBGE, de 2010, existem 817,9 mil indígenas no Brasil de 305 etnias que falam 274 línguas diferentes. O número representar somente 10% do total de índios que existiam aqui em 1500, na época do descobrimento - segundo estimativa dos historiadores, o Brasil tinha milhões de habitantes (índios) à época. Ainda assim, houve um crescimento da população indígena nos últimos anos, segundo os dados oficiais. O censo de 2000 revelou crescimento expressivo do número de índios no país, passando de 294 mil para 734 mil em nove anos - segundo o instituto, esse aumento poderia ser explicado não só como efeito demográfico, mas também pelo aumento do número de pessoas que se reconheceram como parte da população indígena (principalmente dos que vivem em áreas urbanas). Se, por um lado, a população vem aumentando, por outro a demarcação de terras indígenas tem estagnado. Em julho de 2017, o presidente Michel Temer assinou um parecer polêmico sobre a o tema. Segundo o documento, os índios teriam direito às terras "desde que a área pretendida estivesse ocupada pelos indígenas na data da promulgação da Constituição Federal", o que correspondia a outubro de 1988. Isso impediria que representantes indígenas reivindicassem terras que não estavam ocupadas por eles naquela época, 30 anos atrás. Ainda no ano passado, houve outra grande polêmica com os indígenas quando Temer colocou na presidência da Funai o dentista e pastor evangélico Antônio Costa, pouco identificado com a luta pelos direitos dos índios. Ele acabou exonerado poucos meses depois por contrariar indicações do então Ministro Osmar Serraglio, representante da bancada ruralista na Câmara. Atualmente, segundo a Funai, existem 462 terras indígenas regularizadas, que representam cerca de 12,2% do território nacional. Elas estão espalhadas por todo o país, mas com concentração maior na Amazônia.
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19/04 - 'Minha professora é diferente, e ela é maravilhosa': a trajetória da educadora com Down alvo de preconceito de desembargadora
Marília Castro Neves, magistrada que havia questionado no Facebook o que Débora Seabra teria a ensinar, divulgou pedido de desculpas; texto, porém, chegou apenas por acaso à professora; conheça sua história. Débora Seabra atua como auxiliar de desenvolvimento infantil há 13 anos em uma escola privada de Natal: 'Porque as crianças nos dão alegria' Rodolfo Seabra/Complexo EDH "Estou escrevendo para agradecer a carta que você me mandou e lhe dizer que suas palavras me fizeram refletir muito. Bem mais do que as centenas de ataques que recebi nas últimas semanas. Desculpe a demora na resposta, mas eu precisava desse tempo." A professora Débora Seabra de Moura, de 36 anos, se preparava para mais um dia de aulas nesta quarta-feira em Natal (RN) quando se deparou com essas palavras, encaminhadas a ela por um amigo da família. A autora da mensagem era a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. E o pedido de desculpas poderia ser um desfecho redentor para o caso de preconceito do qual a professora, considerada a primeira com síndrome de Down no Brasil, foi vítima. Mas Débora foi pega de surpresa: a carta não foi enviada a ela, mas divulgada pela magistrada à imprensa horas antes que o conteúdo chegasse, por acaso, em suas mãos. 'O que será que essa professora ensina a quem?' As vidas da professora e da desembargadora se cruzaram há cerca de três anos, quando Marília Castro Neves postou em um grupo de magistrados no Facebook um comentário em que dizia ter ouvido no rádio que o Brasil é "o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de Down". Na mensagem, ela declarou: "(…) Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?". O teor da publicação só viria a público em março deste ano, depois que a juíza fez comentários ofensivos e com informações falsas contra a vereadora Marielle Franco (PSOL), então recém-assassinada a tiros na região central do Rio de Janeiro. "Me senti machucada", contou Débora à BBC Brasil. "Doeu o preconceito de dizerem que sou incapaz de dar aula." Desembargadora Marília Castro Neves, que questionou a capacidade da professora, responde a cinco processos no CNJ por postagens na internet Reprodução/Facebook O caso foi parar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após denúncia feita pela Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down. Se somou a outros quatro ajuizados contra a desembargadora por causa de suas polêmicas postagens nas redes sociais. Todos tramitam em segredo de Justiça – o órgão diz não poder dar esclarecimentos sobre o andamento dos processos. Em tese, o prazo de defesa de Neves no CNJ terminaria nesta quarta-feira – mesmo dia em que ela postou no Facebook o pedido de desculpas à Débora e "à memória de Marielle". O texto foi publicado em seu perfil nas redes sociais, onde postagens mais recentes, inclusive essa, são fechadas e, portanto, visíveis somente a amigos. Acabou noticiado pela colunista Mônica Bergamo, do jornal "Folha de S. Paulo", mas não foi e nem será enviado diretamente a Débora ou à família, segundo confirmou à BBC Brasil um assessor do gabinete da desembargadora. "A divulgação que existe é esta." Procurada pela reportagem, a magistrada não quis dar entrevista. A família de Débora também preferiu não fazer comentários sobre a carta. 'Tenho o que ensinar' Marília Castro Neves escreveu 386 palavras. Em meio a elas, diz que "tem sofrido muito" desde que foi "atropelada" pela divulgação de comentários que fez em grupos privados, alguns dos quais "há tanto tempo" que ela já "nem lembrava deles". Diante da "repercussão imensa", ela diz que decidiu se recolher, chorou e pensou muito. E acrescenta: "E de tudo que li e ouvi ao meu próprio respeito, foi de você, de quem em um primeiro momento duvidei da capacidade de ensinar, que me veio a maior lição: a de que precisamos ser mais tolerantes e duvidar de pré-conceitos". "Perdão, Débora, por ter julgado, há três anos atrás, (...) que uma professora portadora de síndrome de Down seria incapaz de ensinar. Você me provou o contrário." Débora havia publicado no Facebook, ainda em março, uma carta-resposta ao questionamento da desembargadora. Pegou lápis, uma folha de caderno e o "choque" que sentiu, como contou à BBC Brasil. E então escreveu o que chamou de "Recado para a juíza Marília". No texto, detalha suas atividades em sala de aula e afirma "ensinar muitas coisas" às crianças. Quando viu a mensagem da desembargadora no Facebook, Débora escreveu uma carta-resposta a mão e postou 'para combater o preconceito' Reprodução/Facebook "A principal é que sejam educadas, tenham respeito pelas outras, aceitem as diferenças de cada uma e ajudem a quem precisa mais." Quando terminou, "sentiu um alívio". "Pensei que tinha de responder logo. Tenho o que ensinar às crianças e a todo mundo." 'Insegurança desnecessária' Débora cursou magistério e, logo depois de formada, foi chamada para ser auxiliar de desenvolvimento infantil na escola onde havia estudado – uma das mais tradicionais na rede privada em Natal (RN). Treze anos atrás, quando pôs os pés em uma sala de aula pela primeira vez na nova função, o sentimento entre pais e professores era de "insegurança", admite a diretora geral da instituição, Lucila Ramalho. "É que foi de fato quebrar uma barreira. Nunca havíamos tido uma auxiliar com necessidades especiais", diz. "Mas foi uma insegurança desnecessária e que foi se dissipando. A síndrome de Down não atrapalha a prática dela. E ela conquista muito a criança." Sandra Nicolussi, de 52 anos, a primeira professora a quem Débora auxiliou, ficou "receosa", mas "se surpreendeu". "Ela precisava de tempo para aprender, mas foi se apropriando da rotina e mostrou que dava conta." Débora atua hoje em uma turma do 4º nível, com cerca de 20 alunos na faixa dos cinco anos de idade. Faz dupla com outra auxiliar encarregada, assim como ela, de dar assistência às atividades definidas em plano de aula e coordenadas por uma pedagoga. Débora com os pais e o irmão, Frederico, na formatura do magistério: 'Eu ajudo a educar e a incluir todo mundo', diz Arquivo pessoal Nessa função, é uma das mãos que ajudam a abrir os livros e a conduzir as crianças ao parque e ao banheiro, assim como os olhos que leem e a boca que conta histórias, "de preferência sobre animais e contos de fadas". "Eu ajudo a educar e a incluir todo mundo", descreve ela. "Ensino que eles não podem brigar, que precisam dividir brinquedos, materiais de aula e aceitar todas as crianças como elas são." Débora diz que "se apaixonou por crianças". "Porque elas trazem alegria para a gente." Ela encontrou reciprocidade no caminho. Cinco anos atrás, a professora Laísa Palhano Torres, de 47 anos, ouviu a filha, Rebeca, dizer surpresa: "Sabe, mamãe, tem uma professora diferente na minha sala. E ela é maravilhosa." A menina tinha seis anos. "E acabou vendo o belo, por meio de diferenças. Viu que não é preciso ter um susto diante de um cadeirante, de um autista, ou da professora com síndrome de Down. Que é parte da vida", diz a mãe. Na sala de aula, Débora vira a "tia Débora" – Ana Júlia, uma das alunas de sua turma neste ano, capricha na entonação para contar sobre ela à mãe, a servidora federal Juliana Vieira Costa de Aguiar, de 34 anos. Lançamento de livro de fábulas infantis no Rio, em 2013: além de contar histórias a crianças, ela também criou as suas Frederico Seabra de Moura Livro de fábulas Da experiência de contar histórias aos alunos, Débora passou também a escrevê-las. Em 2010, trabalhou às escondidas em seu quarto, criando histórias e personagens. E no Natal daquele ano, entregou um manuscrito, depois transformado em livro, como presente aos pais. "São pequenas fábulas em que a preocupação central é sempre a compreensão, a empatia e a convivência cordial e afetuosa com os diferentes", descreveu o escritor João Ubaldo Ribeiro no prefácio. Nas histórias que concebeu, uma menina, Sandra – uma homenagem à primeira professora que auxiliou – vive em uma fazenda onde ajuda a resolver conflitos entre os animais e a disseminar a mensagem de "sim à inclusão" e "não ao preconceito". Por meio de seus ensinamentos, um cachorro e um papagaio aprendem a conviver com as diferenças e se tornam amigos, um coelhinho preto se dá conta de que não precisa ter pelos brancos para conquistar espaço e uma galinha surda, então isolada, aprende a se comunicar. E por aí vai. "É um pouco da história dela", diz a mãe de Débora, a advogada e procuradora aposentada Margarida Seabra de Moura. Na fábula, um passarinho perdido é encontrado ferido. Ele voa então mais devagar e os outros questionam se não ficaria mais seguro se permanecesse na gaiola, sempre. Sandra, a menina da fazenda, discorda. "Já pensaram se eu proibisse vocês de voarem para onde quisessem?", pergunta. "Tentem conviver com ele, aceitando o seu jeito de voar mais devagar. Ele voa com uma asa só, mas consegue ir para onde vocês vão e chegar lá como vocês chegam." Débora e o cartunista, quadrinista, jornalista e escritor Henfil, amigo da família, no início dos anos 80: 'Você vai fazer coisas inimagináveis', disse a ela Arquivo pessoal Trinta e seis anos atrás, pouco tempo após a professora e escritora nascer em Natal, ela estava em São Paulo com a família quando o cartunista mineiro e amigo dos pais dela, Henfil, vaticinou: "Débora, você é tão forte quanto eu e vai fazer coisas inimagináveis". Poucos meses antes, o pai dela, o psiquiatra José Robério Seabra de Moura, acompanhava o parto da filha quando viu o pediatra levar o bebê rapidamente para uma sala ao lado. Foi quando a família soube da síndrome de Down – uma alteração genética sobre a qual, no pouco que se falava, parecia conter prognósticos assustadores. Todos ficaram, afirma, "em choque", mas a "aceitação" veio. "E já que o coração é sempre o órgão eleito para essas coisas, de repente ela estava ocupando o lugar dela, dentro da gente", diz Robério. Dentro deles e no mundo. Débora foi à escola – sempre em instituições regulares –, cresceu estampando páginas de jornal ou falando em programas de TV locais e nacionais sobre inclusão, mas não parou por aí. Em participação na 3ª Conferência do Dia Internacional da Síndrome de Down, na ONU, Débora (de vermelho), disse que 'a inclusão começa na família' Arquivo pessoal Ela fez palestras em seminários e em outros eventos dentro e fora do Brasil – em Portugal, na Argentina e na 3ª Conferência do Dia Internacional da Síndrome de Down, na sede das Nações Unidas em Nova York, nos Estados Unidos, onde ressaltou que "a inclusão começa na família, começa em casa", mas também passa pelos amigos e pelo trabalho. Também recebeu, em 2015, o Prêmio Darcy Ribeiro, concedido pela Câmara dos Deputados a pessoas de destaque na área da educação. O irmão dela, o advogado Frederico Seabra, um ano e meio mais velho, a define como a "antifrágil". "Eu acho que Débora é o contrário de frágil. Ela sente o preconceito quando acontece, mas cresce. Consegue dar respostas fortes em cada situação e sair bem disso." Ele estava na sala de espera de uma clínica onde faria exames quando chegou uma mensagem da mãe pelo WhatsApp: "Você viu o que Débora fez?" Era uma foto da carta que a professora escreveu em resposta à desembargadora. A família então perguntou a ela se queria mesmo publicar. Ela quis. E assim fez. "Ela sabe se defender. É advogada de si mesmo", diz Frederico. Quando Débora, a expectativa de vida de quem tinha síndrome de Down era de até 20 anos de idade, diz o geneticista e pediatra Zan Mustacchi, especialista na área há 40 ano. "Agora gira em torno de 60 a 70 anos", explica. Essa não foi a única mudança ocorrida com o tempo. "As pessoas com síndrome de Down eram marginalizadas com mais frequência no passado, mas era o medo que as pessoas tinham do desconhecido, havia menos divulgação na mídia sobre o assunto e menos oportunidades sociais e de acesso à saúde", diz. "Ainda existem estereótipos, mas isso está mudando." Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 300 mil pessoas no Brasil têm a síndrome, também conhecida como Trissomia 21, em referência ao cromossomo 21, presente nesses indivíduos. Aa síndrome é uma alteração genética que afeta 1 em cada 800 recém-nascidos e é resultado de uma falha na divisão celular do óvulo ou do espermatozoide antes da concepção da criança. Com isso, em vez de ter 46 cromossomos – como a maior parte da população –, ela nasce com 47. O pai de Débora brinca que um dos cromossomos dela é o que a torna resistente e persistente para ir atrás do que quer e defender suas bandeiras. "Eu não desisto dos meus sonhos", ela diz. Dos planos também não. E os que tem em mente, revela, são "casar e continuar sendo professora até se aposentar". "Mas a aposentadoria ainda está longe."
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19/04 - Único da turma, indígena cursa direito na Bahia para tentar ajudar comunidade: 'Necessidade da luta pelo meu povo'
Jovem conversou com o G1 nesta quinta-feira (19), Dia do Índio. Reportagem fez levantamento sobre alunos autodeclarados indígenas em universidades públicas. Estudante da Ufba saiu de aldeia da Costa do Descombrimento para estudar em Salvador Arquivo Pessoal/ Kâhu Pataxó O estudante de direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Kâhu Pataxó, de 27 anos, saiu da aldeia Coroa Vermelha, na cidade de Santa Cruz Cabrália, na região da Costa do Descobrimento, no extremo sul da Bahia, para estudar em Salvador e tentar ajudar seu povo na luta por direitos. Ele conversou com o G1 nesta quinta-feira (19), Dia do Índio. Ele conta que é o único indígena da turma que faz parte na graduação de direito. Já no curso, são cerca de sete alunos indígenas no total. Estudantes indígenas são os que menos contam com apoio público para pagar a universidade A universidade reserva duas vagas em cada curso, em todas as seleções, para estudantes oriundos de quilombos ou de aldeias indígenas, além da reserva de 50% para alunos egressos de escolas públicas, da Lei Federal de Cotas (Nº 12.711). “Estou fazendo direito pela necessidade da luta pelo meu povo. A maioria dos estudantes indígenas têm um propósito coletivo. É uma estratégia dos povos para que a gente tenha o conhecimento não indígena e colaborar o quanto pode” Para ele, a reivindicação primordial é a demarcação de territórios, além dos direitos por saúde e educação. Para sair da aldeia, a decisão também não foi só dele. Kâhu conversou com lideranças indígenas e com a família, que o apoiaram a tomar a decisão de sair da aldeia para a capital baiana. “A gente já nasce na comunidade sabendo que tem compromisso com o coletivo. Então fica fácil para a gente saber que tem que passar por dificuldades para seguir” Kâhu é aluno de direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Arquivo Pessoal/ Kâhu Pataxó A trajetória de Kâhu começa na cidade de Prado, onde nasceu na aldeia de Águas Belas. A família dele decidiu mudar para aldeia de Coroa Vermelha porque a região era mais próxima de escolas. Ele foi o primeiro da família, entre os pais e irmãs, que saiu da comunidade para estudar em uma universidade. Para o estudante, a adaptação de viver em Salvador, longe da comunidade onde cresceu, também foi complicada. “Nos primeiros seis meses, eu fiquei muito abalado. Tive que retornar um período para comunidade e depois voltar para Salvador", relata. "É muito complicado para a gente ficar afastado da nossa comunidade por muito tempo” Ele conta que também teve que lidar com o preconceito por parte dos colegas, que tinham uma ideia limitada sobre os indígenas. “Uma parte achava curioso, mas com uma visão preconceituosa, como se a gente fosse um povo antigo. Como se, depois que a gente usa roupa não indígena, a gente deixasse de ser indígena”, afirma. Ele se mudou para a capital baiana junto com a esposa, que também entrou na universidade, e deixou os filhos em Santa Cruz Cabrália para crescerem dentro da comunidade. “Meus filhos moram na aldeia, porque se eles fossem para a cidade, perderiam a vivência com a comunidade e acabariam perdendo a identidade” Indígenas nas universidades O G1 fez um levantamento sobre a presença de indígenas nas universidades públicas baianas, depois da Lei Federal de Cotas (Nº 12.711), que vigora há cinco anos no país. Quando sancionada, a Lei Federal de Cotas definiu que, em um período de quatro anos, até agosto de 2016, metade das matrículas nas universidades e institutos federais deveriam atender a critérios de cotas raciais e sociais, inclusive indígenas. Os demais 50% das vagas permaneceriam para ampla concorrência. Confira abaixo os detalhes: Uneb reserva 5% as vagas para indígenas oriundos de escolas públicas Henrique Mendes / G1 Bahia Uneb De gestão estadual, a Universidade Estadual da Bahia (Uneb) não deve obedecer a Lei das Cotas. No entanto, desde 2007, reserva 5% de sobrevagas aos candidatos indígenas, oriundos de escolas públicas, em processos seletivos de graduação e pós-graduação. A instituição divulgou dados sobre a presença de indígenas nas universidades dos últimos três anos. Em 2014, a universidade tinha 269 alunos indígenas, do total de 21.511discentes. Em 2015, 234 indígenas, do total de 21.899. Em 2016, eram 216 estudantes indígenas, do total de 21.224. Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) oferece duas vagas extras para indígenas e quilomobolas Divulgação/Uefs Uefs Também em 2007, aconteceu o primeiro processo seletivo com base na política de cotas e reservas de vagas na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). São reservadas 50% das vagas em todos os cursos para estudantes oriundos de escola pública. Dentre estas, são 80% para negros, 20% para não-negros, além de duas vagas extras por curso destinadas a indígenas e quilombolas. Os alunos precisam ter estudado em escolas públicas, morar em aldeia, declarar-se indígena e, por último, ter uma declaração da comunidade reconhecendo o candidato enquanto membro da aldeia. Campus da UFRB em Santo Antônio de Jesus, recôncavo baiano Fábio Santos/ Voz da Bahia UFRB A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) oferta vagas para indígenas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Na reserva de 50% de vagas para alunos de escola pública, 76,53% são para autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. Há também na UFRB o processo seletivo especial para quilombolas e indígenas e aldeados, que ocorre semestralmente, com a oferta de até duas vagas por curso. Todos os estudantes indígenas da UFRB estão vinculados ao Programa de Bolsa Permanência do MEC. Antes da Lei das Cotas, a universidade tinha cinco alunos indígenas matriculados. Destes, apenas dois concluíram o curso e os outros três canceram a matrícula na instituição. A partir de 2013, quando passou a vigorar a legislação, 54 indígenas ingressaram na universidade. Destes, estão 36 estão ativos. Outros 15 tiveram a matrícula cancelada, 2 já se formaram e um consta apenas como cadastrado. Atualmente, são 12.345 alunos no total, entre indígenas e não indígenas, com matrícula ativa na UFRB. Campus da Universidade Federal do Oeste em Barreiras, na Bahia Divulgação/ UFOB Ufob A Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob) implementa a política de cotas para indígenas também por meio do Sisu, mas não tem nenhum estudante autodeclarado indígena atualmente. Univasf A Universidade do Vale do São Francisco (Univasf) informou que, de 2013 a 2017, após a Lei de Cotas, ingressaram 35 alunos que se autodeclararam indígenas na instituição. A instituição não tem os dados de alunos antes de a legislação entrar em vigor. Até a publicação desta reportagem, a Universidade Federal da Bahia (Ufba), Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) não responderam aos questionamentos do G1 a respeito de alunos indígenas e aplicação da lei de cotas nas instituições. *Colaborou com a reportagem o estagiário Ivis Barboza.
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19/04 - UFRB tem autorização do MEC para abertura de oito novos cursos de graduação; confira
Decisão foi publicada no Diário Oficial da União no início do mês de abril. UFRB terá oito novos cursos de gradução na instituição Reprodução/TV Subaé O Ministério da Educação (MEC) autorizou a abertura de vagas de oito novos cursos de graduação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). A decisão foi publicada no último dia 2 de abril, no Diário Oficial da União, e as publicações estão disponíveis nas Portaria nº 226 e 227 do MEC. O Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade (CETENS) terá quatro novos cursos de graduação: Engenharia de Materiais (Bacharelado - 60 vagas), Engenharia de Produção (Bacharelado - 50 vagas), Alimentos (Tecnológico - 30 vagas), e Engenharia de Energias (Bacharelado - 60 vagas). O Centro de Tecnologia Aplicada à Produção de Cultura (CECULT) teve três cursos autorizados: Licenciatura em Música (30 vagas), Interdisciplinar em Artes (Licenciatura – 40 vagas), e Interdisciplinar em Ciências Ambientais (Bacharelado - 50 vagas). O Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) teve o curso de Licenciatura em Artes Visuais (25 vagas) autorizado. A UFRB adota o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) como forma de ingresso. O processo seletivo do Sisu é realizado duas vezes ao ano, sempre no início do semestre através das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os interessados devem ficar atentos ao cronograma do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) .
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19/04 - Estudantes indígenas são os que menos contam com apoio público para pagar a universidade
No Dia do Índio, 19 de abril, levantamento do G1 mostra que 63% dos indígenas não conseguiram vaga gratuita ou não foram selecionados pelo Fies ou pelo Prouni para custear faculdade privada. Os estudantes indígenas formam o grupo com menor percentual de atendimento nas três principais políticas públicas de acesso ao ensino superior. Segundo os dados mais recentes do Censo da Educação Superior, 63% dos indígenas que estavam matriculados em 2016 não conseguiram vaga na rede pública, não foram selecionados para contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e nem para obter bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) para custear faculdade privada. Os dados que mostram a participação dos indígenas no ensino superior integram o detalhamento do mais recente Censo disponível, organizado pelo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O perfil dos universitários segundo suas autodeclarações de cor/raça foi analisado pelo G1 a partir de um levantamento de dados feito pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional). Dos mais de 49 mil índios no ensino superior, 12.348 estão na rede pública (25%) e 36.678 estão nas universidades privadas (75%). Esses números incluem os cursos presenciais e a distância. A divisão com maioria na rede privada está dentro da média geral dos universitários brasileiros: em 2016, o país tinha 8,048 milhões de universitários e 6,05 milhões estavam na rede privada (75,3%). Se o levantamento considerar exclusivamente o total de universitários na rede privada que não contam com nenhum tipo de financiamento e nem bolsa do Prouni, o percentual de indígenas que banca sua própria mensalidade chega a 71%. O índice é praticamente idêntico ao dos autodeclarados negros (70,5%). Essas realidades são vistas com histórias como a de Ingrid e Fetxawewe, dois indígenas moradores de Brasília. Leia mais abaixo. Vestibulares e localização Os processos seletivos, as políticas de permanência e a localização dos campus são pontos apontados por especialistas como impeditivos para mais matrículas das diferentes etnias indígenas na rede pública. “A maior presença em universidades particulares pode ter a ver com o fato de elas serem realmente mais acessíveis. Não tem o funil de alguns vestibulares, e muitas vezes elas estão em localidades mais próximas das terras indígenas.” - Antonella Tassinari, pesquisadora e antropóloga Ao mesmo tempo, a pesquisadora e antropóloga aponta que as políticas implantadas com reservas de vagas ajudaram a diminuir a distância entre os estudantes indígenas e as universidades públicas. As políticas de permanência precisam, no entanto, de uma análise permanente. "Ficar na universidade é uma grande batalha dos estudantes indígenas. (...) Os primeiros meses são sempre uma batalha de como eles vão se manter." - Antonella Tassinari, antropóloga Em algumas universidades, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a questão do processo seletivo é levada em conta. Uma prova específica é aplicada para os estudantes indígenas que pretendem concorrer às vagas extras criadas – além do número separado pela lei de cotas, outras 10 vagas são destinadas no total. O processo seletivo, segundo pesquisadores, apresenta questões que na maior parte das vezes estão ligadas a um cotidiano que não reflete a cultura indígena. "Até 2008 não tínhamos o registro de indígenas cursando uma graduação na universidade. Nenhum estudante na UFRGS em 80 anos de universidade. Só isso já é um avanço. Hoje, a gente tem em torno de 75 indígenas cursando as graduações”, afirma Michele Doebber, pesquisadora da universidade gaúcha que analisa a política de recepção dos indígenas. "Só o impacto dessa presença no cotidiano já traz questionamentos. As mulheres que levam para aula os filhos, essa presença que de alguma forma provoca na sala de aula o ponto de vista indígena." - Michele Doebber Na universidade privada Filho de uma mãe Guajajara, povo do Maranhão, e de um pai Fulni-ô, de Pernambuco, o estudante de direito Fetxawewe Tapuya escolheu pagar uma universidade privada. Por ser calouro, no primeiro semestre do curso, recebe 25% de desconto na mensalidade de R$ 1,2 mil. Depois, o valor passará a ser integral. Fetxawewe Tapuya é estudante de direito em uma universidade particular de Brasília Fetxawewe Tapuya/Divulgação Fetxawewe mora em Brasília e conta que preferia estudar na Universidade de Brasília (UnB). Chegou a prestar vestibular com o interesse na reserva de vagas, mas ficou em 5º lugar. Eram duas vagas. No lugar de tentar outra universidade menos concorrida, em outro estado, ele achou que valeria a pena ficar junto com a mãe na capital federal. Eles moram no Santuário dos Pajés, região a parte noroeste de Brasília com frequente disputa por território. Para ele, ficar é importante. Além disso, ele conta que naturalmente é mais fácil estudar na cidade onde se vive. Para um indígena, mais ainda. "O indígena calouro sofre muito. Eu, como já moro em Brasília, sofro menos. Mas quem é de fora passa por uma avalanche de preconceito." - Fetxawewe Tapuya "Os preconceitos mais frequentes são os mais descarados. Eles perguntam: 'Se você é realmente é indígena, o que você está fazendo na universidade?' E tem povos que ainda tem mais problemas com a fala, porque aprenderam o português mais tarde e junto com outra língua", completou. Na universidade pública Ingrid Rodrigues, de 21 anos, estuda direito na Universidade de Brasília (UnB) Marília Marques/G1 O outro lado, dos que arriscam mudar de cidade e ir atrás de uma universidade pública, também existe. Ingrid Rodrigues, de 21 anos, do povo Paumari localizado perto do Rio Ituxi, no Amazonas, comemorou quando conseguiu ingressar no curso de direito da Universidade de Brasília (UnB) – mesmo que, com a pouca grana, não saiba até quando deve ficar na cidade. Ela conta que foi a primeira Paumari a ingressar no curso, sendo que existem 1,8 mil da mesma etnia. Começou as mudanças cedo, aos 5 anos, quando precisou sair da aldeia e ir para a cidade mais perto – ela e os pais foram para o município de Lábrea. Segundo Ingrid, a família precisou mudar para conseguir estudar em uma escola melhor. "Eu aprendi português desde criança, sempre com a minha língua junto. Eu falo arauá, mas tem coisas que eu já esqueci por causa da mudança", disse. Para chegar a Brasília, o Coletivo Purus fez uma “vaquinha” para pagar a passagem nas redes sociais. Ainda sem resposta sobre a residência universitária, ela vive o primeiro mês na casa de outra indígena que faz pós-graduação. A grana que conseguiu, vale para mais um mês. Até lá, ela tenta uma bolsa permanência da universidade e todas as opções disponíveis do governo. Ela come no restaurante universitário e precisa de uma vaga na residência. Saiba mais sobre a história da Ingrid. Roberta Jaworski / Editoria de Arte
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18/04 - Encceja Nacional já tem mais de meio milhão de inscritos
Inscrições foram abertas na segunda e vão até o dia 27 de abril; prova acontecerá em 5 de agosto. Inscrição do Encceja 2018 pode ser feita pela internet até o dia 27 Reprodução A edição de 2018 do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja Nacional) recebeu 542 mil inscrições em 48 horas, segundo balanço parcial divulgado na tarde desta quarta-feira (18) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As inscrições foram abertas na segunda (16) e poderão ser realizadas até as 23h59 de 27 de abril. As provas estão marcadas para 5 de agosto. O Sistema de Inscrição pode ser acessado pelo endereço http://enccejanacional.inep.gov.br/encceja. Entre 30 de abril e 4 de maio serão recebidas as solicitações para Atendimento por Nome Social. O Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) é indicado para quem não concluiu os estudos no tempo regular. Até 2016, o Enem podia ser usado para obter o diploma do ensino médio ou fundamental. Foram 991.268 inscritos no último ano em que o Enem serviu para esse propósito. Em 2017, 1,5 milhão de pessoas no Brasil e no exterior se inscreveram no Encceja. Datas das demais edições O Encceja Nacional terá provas em 5 de agosto e o Encceja Exterior, em 16 de setembro. As edições direcionadas a adultos submetidos a penas privativas de liberdade e adolescentes sob medidas socioeducativas que incluam privação de liberdade (PPL) serão realizadas em setembro. Enquanto o Encceja Exterior PPL terá as provas aplicadas entre 17 e 21, o Encceja Nacional PPL será realizado em 18 e 19.
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18/04 - Professores apostam em projetos especiais para evitar evasão de alunos em Curitiba
Em uma das escolas, estudantes cantam hino nacional antes das aulas. Índice de evasão na cidade é maior do que o do Paraná, segundo o IBGE. Escolas de Curitiba desenvolvem projetos para conter evasão escolar Professores de Curitiba têm investido em projetos especiais para incentivar alunos a frequentar a escola. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que é alto o número de crianças e de adolescentes, entre seis e 14 anos, fora das salas de aula em Curitiba: 2,4%. O índice é maior em comparação aos do Paraná e do Brasil, que são de 1,7% e de 2,1%, respectivamente. Ações de incentivo Todos os dias, as aulas em uma das escolas do bairro Cajuru começam só depois que os alunos cantam o hino nacional. Reprodução/RPC Todos os dias, as aulas em uma das escolas do bairro Cajuru começam só depois que os alunos cantam o hino nacional. O aprendizado, além da formação cívica, leva em conta atividades pedagógicas que nada mais são do que grandes brincadeiras. Também tem aula de educação no trânsito - desde os oito ou nove anos de idade, a criançada já aprende a respeitar as regras pra viver em sociedade. "É legal porque a gente pode aprender a andar no trânsito", diz o estudante Carlos Fernandes, de sete anos. "Eu me divirto", diz a aluna Valeska Cabral, de 7 anos. Tanta diversão não poderia ter um resultado mais prático do que fazer com que os alunos tivessem vontade de vir pra escola. Foi o que percebeu a funcionária pública Marinilza Guadagnin com a filha. "Na outra escola que ela estava, não tinha. Era um sacrifício para tirar da cama. Agora, ela vem com entusiasmo", lembra. As atividades ajudaram no desenvolvimento do filho da servidora pública Rosicleide Moraes, que é mais quieto. "Ele passou a interagir mais com as crianças: tem aula de música, futebol de rua, plantação na hora... Várias atividades que ele interage mais", conta. Quando inaugurada, há 10 anos, a escola registrava uma média de 60 alunos com problemas de frequência. Mas, nos últimos anos, conseguiu reduzir e muito esse número. "Com a evasão escolar, nós vimos que a ficha de ausência mensal diminuiu com as ações", conta a diretora Karina Contin. Uma outra escola na Vila Guaíra também tinha um dos maiores índices de evasão em Curitiba. Com a dedicação de todos professores, diretores e funcionários, o colégio conseguiu reverter isso ao longo dos anos. Tudo começa na sala de aula. Se o aluno tem três ou mais faltas, a escola quer saber o motivo. O professor entrega pra direção um bilhetinho avisando a ausência e uma representante da rede de proteção que trabalha na escola chega, inclusive, a ir até a casa do aluno, dependendo do caso. "Nós vemos o porquê dele não estar vindo. Se os pais não mandarem, a gente vai atrás, eles já sabem disso", afirma a representante da Rede de Proteção, Cláudia Mayer. Veja mais notícias do estado no G1 Paraná.
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18/04 - Olimpíada Nacional em História do Brasil recebe inscrições até o dia 24
Projeto é realizado pela Unicamp e tem como público-alvo os professores de história e alunos do ensino fundamental II e médio. Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) recebe inscrições até 24 de abril Divulgação Professores e estudantes de escolas públicas e particulares de todo o Brasil podem se inscrever até a próxima terça-feira (24) na edição de 2018 Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). O projeto é realizado pelo Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e já está em sua décima edição. As inscrições podem ser feitas pela internet, no site oficial da ONHB. A inscrição por equipe de escola pública tem uma taxa de R$ 45; para as escolas particulares, a taxa é de R$ 90 por equipe. Cristina Meneguello, coordenadora da olimpíada, explica que "foi pensada para incentivar o desenvolvimento da análise crítica e discussões sobre os mais variados assuntos", e que os estudantes recebem "informações, textos, imagens e mapas para serem analisados e pesquisados para a elaboração das respostas". Sete fases de competição Neste ano, a ONHB terá sete fases na competição: as seis primeiras acontecem pela internet, e a sétima, considerada a grande final da olimpíada, acontece de forma presencial na Unicamp, em Campinas (SP), no mês de agosto. No ano passado, a ONHB afirma que um total de 48 mil alunos de todos os estados brasileiros participaram da olimpíada, e 307 grupos, com um total de 1.200 competidores, foram até a final. O Ceará ficou em 1º lugar no ranking de medalhas. De acordo com as regras, pelo menos 200 equipes são classificadas para a final. Calendário da ONHB 2018 Inscrições: até 24 de abril Seis fases iniciais (online): 7 de maio a 16 de junho Final presencial na Unicamp: 18 e 19 de agosto
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17/04 - UnB lança edital do vestibular de junho; inscrições abrem quarta-feira
São 2.105 vagas para 98 cursos de graduação. Prazo para inscrições vai até 29 de abril, taxa custa R$ 150.  O primeiro vestibular com o sistema de cotas para negros foi realizado em junho de 2004. A UnB foi a primeira instituição do pais a adotar o sistema. Dos 4.385 cotistas inscritos no plano, 4.173 têm suas inscrições homologadas. UnB Agência Será aberto nesta quarta-feira (18) o período de incrições para o vestibular de ingresso na Universidade de Brasília (UnB) a partir do segundo semestre de 2018. Ao todo, serão oferecidas 2.105 vagas para 98 cursos de graduação nos campi Darcy Ribeiro (Plano Piloto), Ceilândia, Gama e Planaltina. As inscrições vão até 29 de abril. Para participar do vestibular, os candidatos devem acessar o portal do Cespe e ler o edital de ingresso. As mais de 2,1 mil vagas serão oferecidas pelo sistema de concorrência universal (992) e de cotas para negros (112) e estudantes de escolas públicas (1.071) – dentro dessa, há reserva para pessoas com deficiência. Na solicitação de inscrição, é necessário optar pelo sistema de concorrência, pela língua estrangeira e selecionar uma pré-opção de campus, curso e turno. Também é preciso enviar uma fotografia individual de frente e num fundo branco. Candidatos realizam as provas do segundo dia do 2º Vestibular da Universidade de Brasília (UnB) de 2012 Reprodução/TV Globo As provas serão realizadas em Brasília (DF), Brazlândia (DF), Ceilândia (DF), Gama (DF), Planaltina (DF), Sobradinho (DF), Taguatinga (DF), Formosa (GO), Goiânia (GO), Valparaíso (GO) e Uberlândia (MG). Taxa O valor da tarifa de inscrição para o vestibular da UnB é de R$ 150,00 e deve ser pago até, no máximo, 18 de maio. Estudantes treineiros, ou seja, que não concluíram o ensino médio e fazem a prova como exercício, pagam o mesmo valor. Estudantes aprovados comemoram resultado no vestibular da UnB Marília Marques/G1 Para obter isenção do pagamento, é necessário comprovar renda familiar per capita igual ou inferior a um salário mínimo (R$ 954) e ter feito ensino médio na rede pública ou como bolsista integral de instituição privada. Estão isentos, ainda, candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). O prazo para solicitar a isenção é o mesmo das inscrições para todas as possibilidades – 29 de abril. Cronograma Inscrições: 18 de abril, a partir de 10h, a 29 de abril, até 18h; Divulgação dos locais de prova: 30 de maio; Provas: 2 (Linguagens, Ciências Humanas e redação) e 3 de junho (Ciências exatas e biológicas), de 13h às 18h (no máximo); Gabarito oficial: 22 e 23 de junho; Resultado da primeira chamada: 10 de julho. Veja mais notícias da região no G1 DF.
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17/04 - Educadores infantis da rede municipal de ensino de Araucária entram em greve
Cerca de 80% dos CMEIs interromperam as atividades nesta terça-feira (17); prefeitura diz que não é possível atender às reivindicações neste momento. Educadores infantis da rede municipal de ensino de Araucária entram em greve Educadores dos Centros de Educação Infantil (CMEIs) de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, entraram em greve nesta terça-feira (17). Cerca de 80% dos CMEIs interromperam as atividades nesta manhã, de acordo com o sindicato da categoria. Eles pedem, entre outras reivindicações, a equiparação da categoria de educador com a de professor e reclamam que a negociação com a prefeitura está difícil. De acordo com o sindicato, muitas vezes, esses profissionais desempenham a função de professores, mas acabam não tendo os mesmos direitos. Eles dizem que faltam, por exemplo, momentos para planejar as atividades com as crianças - as chamadas horas-atividade. Os educadores querem também que o calendário letivo dos CMEIs seja igual ao das escolas municipais. Eles dizem que faltam, por exemplo, momentos para planejar as atividades com as crianças - as chamadas horas-atividade Luiza Vaz/RPC Em entrevista à RPC, nesta manhã, o secretário de Governo de Araucária, Genildo Carvalho, disse que, neste momento, não é possível atender às reivindicações dos servidores. De acordo com o secretário, a prefeitura vem negociando com os servidores há mais de um ano, porém, segundo ele, é necessária a criação de uma comissão para avaliar esses pedidos e saber a legalidade e a viabilidade das reivindicações. Genildo acrescentou, ainda, que vai tentar negociar o fim da greve. Se isso não acontecer, os dias parados devem ser descontados dos salários dos servidores. Cerca de 80% dos CMEIs interromperam as atividades nesta manhã, de acordo com o sindicato da categoria Luiza Vaz/RPC Veja mais notícias do estado no G1 Paraná.
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17/04 - Vestibular da Uerj abre inscrições para prova da primeira fase
Primeiro exame de qualificação está marcado para o segundo domingo de junho. Fachada da Uerj, no câmpus do Maracanã Reprodução/G1 Estão abertas as inscrições para o 1º Exame de Qualificação do Vestibular da Uerj. O candidato tem até o dia 30 para se cadastrar nesta fase, que conta pontos para a etapa final. Haverá ainda uma segunda prova de qualificação, caso o estudante queira melhorar sua nota. Instruções para inscrição Taxa no valor de R$ 60 deve ser paga até o dia 2/5 em qualquer agência bancária O cartão de confirmação, que informará o local de realização do exame, estará disponível no portal do vestibular a partir do dia 22/5 A prova está marcada para o dia 10/6, um domingo. Como é o Exame de Qualificação Não haverá escolha do curso nesta fase Será realizado por meio de prova de múltipla escolha O candidato ganhará de 5 a 20 pontos de acordo com seu desempenho Para esta prova, será cobrada a leitura do "Livro de Sonetos", de Vinicius de Moraes.
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16/04 - UFSCar realiza atividades para mostrar a realidade dos estudantes indígenas
Até o dia 25 de abril serão feitas apresentações de trabalhos acadêmicos e culturais, discussões e palestras e mostras sobre a realidade do índio na universidade.  Lennon Corezomaé será o primeiro indígena a cursar mestrado na UFSCar Lidiane Volpi/UFSCar Uma das poucas universidades do país com vestibular indígena, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) irá realizar a partir desta segunda-feira (16), a 4ª Semana dos Estudantes Indígenas. Dia 19 de abril é comemorado o 'Dia do Índio' no Brasil. A UFSCar conta com 223 estudantes indígenas de 42 etnias. O evento é organizado desde 2015 pelo Centro de Culturas Indígenas (CCI) da universidade e procura promover o intercâmbio cultural e a difusão de alguns valores da cultura dos povos indígenas do Brasil para a comunidade acadêmica e a população de São Carlos. O tema desta edição, que vai até dia 25, é “Acadêmicos indígenas: propondo o diálogo entre Ciência e conhecimento tradicional”. Grupo de professores e veteranos da UFSCar recebe calouros indígenas Fabiana Assis/G1 As atividades começam nesta segunda-feira (16), com um curso de formação para professores do Ensino Fundamental I da rede pública de São Carlos. A abertura oficial acontece na terça-feira (17). Na quarta-feira a programação começa com a apresentação de trabalhos de conclusão de curso desenvolvidos por estudantes indígenas. Na quinta-feira, no “Dia do Índio”, haverá roda de conversa sobre a data como dia de luta pelas causas indígenas, atividades de pintura corporal e Toré (ritual indígena). Além disso, serão apresentadas as experiências de estudantes indígenas e negros que participaram de intercâmbios em universidades de outros países. Na sexta, o destaque será a presença da cacique Kambeba Eronilde Fermin, formada no curso de Pedagogia Intercultural Indígena na Universidade Estadual do Amazonas (UEA). As atividades seguem até o dia 25 de abril e acontecem no campus da UFSCar. Confira a programação completa: Terça-feira (17) 19h - Abertura oficial - Teatro Bento Prado Júnior Quarta-feira (18) 10h às 17h30 - Apresentação de trabalhos e experiência de alunos indígenas nos Programas de Educação Tutorial (PETs) - Biblioteca Comunitária da UFSCar Quinta-feira (19) 9h - Roda de conversa: O “Dia do Índio” como o dia de luta pelas causas indígenas - Biblioteca Comunitária, 11h às 12h30 - Pintura corporal - em frente à Biblioteca Comunitária 12h30 às 13h - Toré (ritual indígena) - Saída da Biblioteca Comunitária rumo ao Restaurante Universitário 14h30 às 17h30 - Apresentação das experiências de estudantes indígenas e negros que participaram de intercâmbios em universidades de outros países por meio do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias do Nascimento, vinculado ao Ministério da Educação (MEC). Toré da etnia Pankararu. Ricardo Moura/ Divulgação Secult-PE Sexta-feira (20) 9h às 12h30 - Roda de conversa com a Cacique Kambeba Eronilde Fermin, Teatro Bento Prado Júnior 14h30 às 17h30 - Roda de conversa: ‘O histórico do movimento indígena e a organização das associações indígenas’. Teatro Bento Prado Júnior Sábado e domingo (21 e 22) - Torneio Pajé - Quadras da UFSCar Segunda feira (23) 9h às 12h30 - Roda de conversa sobre ‘A importância dos acadêmicos e profissionais graduados indígenas nas suas comunidades’ - Teatro Bento Prado Júnior. 15h às 17h - Oficina de artesanato com estudante do povo Pataxó da Bahia - Auditório 1 da BCO. Terça-feira (24) 14h30 às 17h30 - Roda de conversa’ Mulheres Indígenas na Produção de Conhecimento’ - Auditório 1 da BCO. Quarta-feira (25) 19h - Exibição de filme sobre a temática indígena e debate com representantes do CCI - Teatro Florestan Fernandes. Documentário Imagem do filme 'Martírio' Divulgação / Página oficial do filme no Facebook Além dessa programação, o ‘Cinemas em Rede’ apresenta o documentário “Martírio”, do diretor Vincent Carelli. O longa levanta o debate sobre genocídio e um conflito de forças desproporcionais contra o povo indígena Guarani Kaiowá. A exibição do filme será na quinta (19), às 18h, no CineUFSCar. Após a exibição haverá um debate em rede com o diretor do filme, Vincent Carelli, a coordenadora e curadora da Vitrine Filmes, Talita Arruda, o antropólogo e pesquisador sobre os Guaranis, Spensy Kmitta Pimentel, o estudante de direito e liderança Pataxó, Genilson Taquari, e o líder Guaraní, Marcelo Wera Djekupe. A entrada é gratuita. Veja mais notícias da região no G1 São Carlos e Araraquara.
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16/04 - Enem 2018 vê número de candidatos isentos cair após aplicação de nova regra
Neste ano, quem teve direito à isenção precisou solicitá-la antes de se inscrever; após fim do prazo, número de pedidos foi de 3,8 milhões, o que representa no mínimo 19% a menos que o total de 2017; Inep vai divulgar quem terá ou não o direito à isenção no dia 23. Enem 2018: tela 1 do pedido de isenção Reprodução/ Inep A edição 2018 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) recebeu 3,8 milhões de pedidos de isenção da taxa de inscrição. O prazo terminou às 23h59 deste domingo (15). Segundo balanço divulgadou na tarde desta segunda-feira (16) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 3.818.663 enviaram o pedido dentro do prazo. Como o resultado de quem efetivamente vai poder se inscrever sem pagar a taxa de R$ 82 sai na próxima segunda (23), é possível que o número total de isentos neste ano seja menor. Menos isentos em 2018 No Enem 2017, segundo dados do próprio Inep, 4.731.592 estudantes se inscreveram no exame com direito à isenção. Eles representaram 70% do total de inscritos confirmados, mas cerca de 40% deles faltou a pelo menos um dos dois dias de prova. Nesse ano, o número de candidatos isentos já é pelo menos 19% menor que na edição anterior – o universo possível é de 3,8 milhões, mas, para garantir o direito, os estudantes terão que confirmar os dados. Concluintes na rede pública Além dos candidatos que têm direito à isenção garantido por lei, o Enem 2018 vai ter meio milhão de estudantes que cursam o terceiro ano do ensino médio em escola pública a menos com a isenção. Isso porque, até o ano passado, esse grupo tinha a isenção automática garantida no ato da inscrição, quando informaram o código da escola e o ano da matrícula. Neste ano, porém, o Inep exigiu que eles também solicitassem a isenção antecipadamente, uma etapa que não existia em 2017. Segundo o balanço do Inep divulgado nesta segunda, 971.924 candidatos na situação de concluintes do ensino médio em escola pública serão isentos. No ano passado, esse número foi de 1.486.448. A queda é de 34,6%. Ausentes em 2017 podem perder isenção em 2018 O Inep informou ainda que 208.588 candidatos com direito à isenção por lei que tenham sido isentos em 2017, mas faltaram ao Enem, pediram a isenção neste ano. Porém, também segundo as novas regras do governo federal, eles só poderão fazer o Enem neste ano sem pagar a taxa se comprovassem que a ausência no ano passado foi justificada. "Entretanto, apenas 8.486 apresentaram a documentação exigida e 200.102 declararam não possuir documentos que justificassem a ausência no exame", antecipou a autarquia. Corte de gastos A decisão de processar os pedidos de isenção antes das inscrições do Enem foi implementada neste ano, segundo o Inep, para "evitar desperdícios de recursos públicos". O órgão diz que, nas últimas cinco edições do Enem, acumulou um prejuízo de R$ 962 milhões e que a maior parte dos faltantes nas provas são candidatos que não pagaram a taxa. Quem tem direito à isenção? Estão isentos aqueles que: estão cursando a última série do Ensino Médio, em 2018, em escola da rede pública declarada ao Censo Escolar; fizeram todo o ensino médio em escola da rede pública ou como bolsistas integrais na rede privada, e têm renda, por pessoa, igual ou menor que um salário mínimo e meio (R$ 1.431); estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica por serem integrantes de família de baixa renda e que possuam Número de Identificação Social (NIS), único e válido, e renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo (R$ 477) ou renda familiar mensal de até três salários mínimos (R$ 2.862); fizeram o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2017 e atingiram nota mínima para certificação. Calendário do Enem 2018 Veja as próximas datas da realização do exame: 23 de abril: resultados dos pedidos de isenção 23 a 29 de abril: intervalo para apresentar novos documentos, caso o pedido de isenção seja negado 7 a 18 de maio: inscrições do Enem (para todos os candidatos, isentos ou não) 4 e 11 de novembro: provas do Enem 2018
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16/04 - ‘Fui professor por 17 anos sem saber ler’
O americano John Corcoran conseguiu se formar na universidade e entrar na docência guardando um segredo que o atormentava. Até que, aos 48 anos, ele decidiu enfrentá-lo. Queria que pessoas como eu soubessem que há esperança, há solução. Não somos burros, podemos aprender a ler, e nunca é tarde demais BBC John Corcoran teve uma infância comum no Estado americano do Novo México, nas décadas de 1940 e 50. Frequentou a escola e a universidade e se tornou professor quando se formou - mas fez tudo isso guardando um segredo improvável: ele não conseguia ler uma frase sequer. Em depoimento à BBC, ele relata o sofrimento de ter tido que recorrer a estratégias frequentes para esconder seu analfabetismo, até decidir revelar a verdade ao mundo, aos 48 anos: "Quando eu era criança, escutava dos meus pais que eu era um vencedor. E, nos meus primeiros seis anos, eu acreditei nisso. Demorei a aprender a falar, mas frequentava a escola cheio de expectativas de aprender a ler como minhas irmãs - e tudo correu bem nos primeiros anos, porque o que mais se exigia das crianças era fazer fila, sentar, ficar caladas e ir ao banheiro no horário determinado. Até que, na segunda série, a gente precisava aprende a ler. Mas para mim (o livro didático) era como um jornal em mandarim - não entendia o que estava naquelas linhas. E, aos seis, sete e oito anos de idade, eu não sabia como explicar esse problema. Lembro-me de rezar à noite pedindo: 'por favor, Deus, faça com que eu saiba ler amanhã ao acordar'. Às vezes eu abria um livro para ver se havia ocorrido um milagre. Mas isso não acontecia. Na escola, eu fui colocado na fileira dos 'burros', com um monte de outras crianças com dificuldades para aprender a ler. Não sabia como tinha ido parar ali, como sair dali e nem que perguntas eu precisava fazer. O professor não chamava a nossa fileira de 'crianças burras' - não havia esse tipo de crueldade -, mas os colegas falavam assim. E quando você senta na fileira dos burros, você começa a achar que é burro mesmo. Na quinta série, eu praticamente havia desistido de aprender a ler, conta John Arquivo pessoal Nas reuniões escolares, meu professor só disse aos meus pais, 'ele é inteligente, ele vai entender'. E me passaram para a terceira série. 'Ele é inteligente, ele vai entender'. E me passaram para a quarta série. 'Ele é inteligente, ele vai entender'. E me passaram para a quinta série. Mas a verdade é que eu não estava entendendo. Na quinta série, eu praticamente havia desistido de aprender a ler. Eu me levantava de manhã, me vestia e ia para a escola como se estivesse indo para a guerra. Eu odiava a sala de aula. Era um ambiente hostil e eu precisava encontrar formas de sobreviver. Quando cheguei à sétima série, passava a maior parte dos dias na sala do diretor. Eu era briguento, desafiador, palhaço, perturbador; até ser expulso da escola. Mas esse comportamento não refletia como eu me sentia por dentro - não era quem eu queria ser. Eu queria ser alguém diferente, queria ser bem-sucedido, um bom aluno. Mas simplesmente não conseguia. Na oitava série, cansei de envergonhar a mim mesmo e à minha família. Decidi que ia me comportar. E, no ensino médio, se você se comporta, você consegue avançar dentro do sistema. Então decidi ser um queridinho do professor e fazer todo o possível para passar o sistema. Queria ser atleta - eu tinha habilidades atléticas e matemáticas, tanto que conseguia contar dinheiro e fazer tabuada antes mesmo de ir pra escola. Eu também tinha habilidades sociais. Andava com os garotos universitários e namorava a menina com as notas mais altas da escola. Fui 'rei da festa de formatura' e conseguia que meus colegas - geralmente meninas - fizessem a lição de casa para mim. Conseguia escrever meu nome e lembrava algumas palavras, mas era incapaz de escrever uma frase. No ensino médio, eu lia como se estivesse na segunda série. E nunca disse isso para ninguém. Durante as provas, eu colava ou passava a folha para alguém responder as perguntas para mim. Mas, quando passei para a universidade com uma bolsa de atleta, a história mudou. Pensei: 'Meu Deus, isso é demais para mim, como vou fazer?' Entrei para uma fraternidade que tinha cópias de provas antigas. Era uma das formas que eu usava para colar. Tentei acompanhar as aulas ao lado de um colega, para me ajudar. E tentei também estratégias mais criativas e desesperadas para passar de ano. Em uma prova, o professor escreveu quatro perguntas na lousa para copiarmos. Eu estava sentado no fundo da sala, perto da janela. Com muito sacrifício, eu escrevi as quatro perguntas. Mas não sabia o que elas queriam dizer. Havia combinado com um amigo de ficar do lado de fora da janela. Ele era provavelmente o aluno mais esperto que eu conhecia, e havia acertado de apresentar ele para a menina de quem ele gostava. Então, ele respondeu as perguntas para mim. Em outra ocasião, eu invadi a sala do professor três noites seguidas, à meia-noite, como um ladrão, para procurar pela prova. Eu sabia que havia cruzado uma linha - não era mais apenas um estudante que colava, eu era um criminoso. E mesmo assim não consegui encontrar a prova. Deduzi que ela estaria dentro de um gaveteiro trancado à chave, então chamei três amigos para irem comigo à sala do professor à 1h da manhã. Carregamos o gaveteiro, colocamos dentro de um carro e o levamos embora. Consegui que um chaveiro abrisse para mim e peguei uma cópia da prova, e um amigo inteligente me deu as respostas. Devolvemos o gaveteiro e, às 5h da manhã daquele dia, eu acordei pensando: 'Missão impossível cumprida!'. Me sentia muito bem por ser tão esperto. Mas simplesmente deitei na minha cama e comecei a chorar como um bebê. Por que eu não pedi ajuda? Porque não acreditava que ninguém poderia me ensinar a ler. Era um segredo que eu guardava. Meus pais e professores diziam que pessoas com diploma universitário conseguem empregos melhores e vidas melhores, então acreditei nisso. Minha motivação era apenas conseguir o diploma. Talvez algum dia, por osmose, por orações ou por milagre eu aprendesse a ler. Assim eu me formei, e havia uma escassez de professores. Recebi uma oferta de emprego. É a coisa mais ilógica de se pensar: eu havia escapado da jaula do leão e voltava para atiçar o leão outra vez. Por que virei professor? Olhando para trás, parece uma loucura. Mas eu havia cursado a escola e a universidade sem ser desmascarado, então ser professor parecia um bom esconderijo. Ninguém suspeita que um professor não sabia ler. Ensinei coisas diversas. Fui técnico de atletismo. Ensinei estudos sociais. Ensinei digitação - conseguia digitar 65 palavras por minuto, sem saber o que estava digitando. Nunca escrevi nada na lousa, e não havia palavras escritas nas minhas salas de aula. Havia muitos filmes e discussões. Mas eu lembro do medo que sentia. Eu sequer conseguia fazer a chamada. Tinha que pedir aos estudantes para pronunciar seus nomes, para que eu pudesse sabê-los. E identificava dois ou três estudantes para me ajudar nas aulas. Eles não suspeitavam de nada - ninguém suspeita do professor. Um dos meus maiores pavores eram as reuniões semanais de professores. Às vezes o diretor pedia que alguém escrevesse as ideias na lousa. Eu tinha um plano: se ele me pedisse, eu ia fingir um desmaio e torcer para que eles chamassem o socorro. Eu fazia de tudo para não ser flagrado, e não fui. Às vezes eu me sentia um bom professor, porque eu trabalhava duro e realmente me importava com o que fazia. Mas eu não era um bom professor. Eu estava errado. Meu lugar não era na sala de aula, eu estava invadindo um terreno que não era meu. Algumas vezes isso me deixava fisicamente doente, mas eu estava dentro de uma armadilha e não podia contar para ninguém. Me casei durante meu período como professor. O casamento é um sacramento, um compromisso de ser verdadeiro com alguém. Foi a primeira vez que pensei: 'Vou confiar nessa pessoa, vou contar para ela'. Eu treinei na frente do espelho: 'Cathy, eu não sei ler. Cathy, eu não sei ler'. Uma noite, enquanto estávamos sentados no sofá, eu finalmente disse: 'Cathy, eu não sei ler'. Mas ela não entendeu direito. Ela achou que eu estava dizendo que não lia muito. O amor é cego e surdo. E assim casamos, tivemos um filho e só anos depois ela foi entender. Eu estava lendo para a nossa filha de três anos. Líamos para ela com frequência, mas não era realmente uma leitura - eu inventava histórias a partir das que conhecia, como Cachinhos Dourados ou Os Três Ursos. Só que havia um livro novo, Rumpelstiltskin, e a minha filha me disse: 'Você não está lendo igual à mamãe'. A minha mulher me ouviu tentando ler um livro infantil e a ficha caiu. Ela se deu conta de que eu sempre pedia para ela escrever coisas para mim, e finalmente ela entendeu quão grave era o meu problema. Mas nada foi dito, não houve nenhum confronto, ela simplesmente continuou me ajudando. Não aliviou em nada, porque por dentro eu me sentia burro, me sentia uma farsa. Eu era um enganador. Ensinava meus alunos a buscar a verdade, e era o maior mentiroso da sala. O alívio só veio quando eu finalmente aprendi a ler. Fui professor entre 1961 e 1978. Oito anos depois de deixar meu emprego, algo finalmente mudou. Tinha quase 48 anos quando vi Barbara Bush, então primeira-dama dos EUA, falando sobre analfabetismo adulto na TV. Era a causa que ela combatia. Eu nunca havia escutado ninguém falando de analfabetismo adulto antes, achava que era a única pessoa do mundo naquela situação. Eu estava em um momento de desespero. Queria contar para alguém e queria pedir ajudar. Um dia, estava na fila do mercado e ouvi duas mulheres conversando sobre um homem que estava aprendendo a ler na biblioteca. Elas falavam com muita alegria, e eu não conseguia acreditar. Fui até a biblioteca, perguntei pela diretora do programa de alfabetização, me sentei com ela e contei que não sabia ler. Foi a segunda pessoa a quem contei isso na minha vida adulta. Ganhei uma tutora voluntária de 65 anos. Ela não era uma professora, apenas alguém que amava ler e não queria que ninguém passasse pela vida sem saber fazer o mesmo. Ela logo tentou fazer com que eu escrevesse, porque eu tinha todos esses pensamentos na cabeça e nunca havia escrito uma frase com eles. A primeira coisa que escrevi foi um poema com meus sentimentos. O bom da poesia é que você não precisa escrever em frases completas. Ela conseguiu me ensinar a leitura até o nível da sexta série - era como se eu tivesse morrido e ido ao paraíso. Mas levei sete anos para me sentir alfabetizado. Eu chorava, chorava, chorava depois de começar a ler - foi um processo repleto de dor e frustração -, mas isso preencheu um buraco enorme na minha alma. Adultos que não sabem ler tiveram sua infância suspensa, emocionalmente, psicologicamente, academicamente, espiritualmente. Somos pessoas que não cresceram. Minha tutora me encorajou a contar minha história para motivar outros e promover a alfabetização, mas eu disse: 'De jeito nenhum. Morei nesta comunidade por 17 anos, meus filhos, meus pais e minha mulher moram aqui. Não é uma história que eu queira contar'. Até que eu decidi contar. Era um segredo vergonhoso, então foi uma decisão difícil de tomar, mas, quando a tomei, decidi contar minha história para todo o país, para quem quisesse ouvir. Depois de guardar meu segredo por décadas, eu decidi expulsá-lo de mim. Contei minha história (nos programas de TV) da Oprah, do Larry King. Era incômodo para as pessoas escutarem a história de um professor que não sabia ler. Teve gente que disse que eu havia inventado a história toda. Mas eu queria que pessoas como eu soubessem que há esperança, há solução. Não somos 'burros', podemos aprender a ler, e nunca é tarde demais. Infelizmente, continuamos a empurrar crianças e adolescentes pelo sistema escolar sem ensiná-las habilidades básicas de leitura e escrita. Mas podemos romper esse ciclo de fracasso se, em vez de culpar os professores, nos assegurarmos de que eles sejam devidamente treinados. Por 48 anos, eu vivi no escuro. Mas finalmente eu enterrei o fantasma do meu passado." Depoimento concedido a Sarah McDermott, da BBC.
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16/04 - Com faculdades públicas e sem vestibular, Argentina atrai cada vez mais universitários brasileiros
Instituições veem aumento da presença de estudantes do Brasil desde a crise econômica, em um movimento que já causa incômodo em alguns setores acadêmicos argentinos. A possibilidade de estudar gratuitamente no exterior sem ter que prestar vestibulares tem atraído número crescente de universitários brasileiros para as universidades argentinas - a ponto de causar incômodo em alguns setores acadêmicos do país vizinho. Nos últimos anos, a presença de estudantes brasileiros de diferentes regiões passou a ser cada vez mais frequente em cidades como Buenos Aires, La Plata e Rosario, onde estão algumas das principais universidades públicas da Argentina. Há alunos brasileiros também em universidades menos conhecidas, como a do balneário de Mar del Plata, a 400 km de Buenos Aires. O curso de Medicina é o mais procurado pelos brasileiros, segundo assessores das instituições de ensino argentinas. O sistema universitário argentino exige dos brasileiros apenas o diploma do ensino médio, reconhecido nos ministérios da Educação do Brasil e da Argentina, e um documento de identidade (o DNI, emitido pelas autoridades migratórias). O desempenho do aluno no ensino médio não é avaliado. No caso do DNI, o processo foi simplificado nos últimos anos, mas o agendamento para o início da emissão do documento pode demorar alguns meses. Sem vestibular Diferentemente das universidades brasileiras, as universidades públicas argentinas não têm limites de vagas para vários cursos, incluindo os de Medicina, de acordo com a assessoria de imprensa das instituições acadêmicas. Essa facilidade de ingresso tem sido um chamariz para estudantes brasileiros. Outro fator de peso, segundo acadêmicos ouvidos pela BBC Brasil, é a crise econômica brasileira. "Nos perguntamos aqui por que tantos alunos brasileiros vieram nos últimos dois ou três anos e entendemos que o período coincide com a crise no Brasil", disse um assessor acadêmico, pedindo para não ser identificado. "Sem dúvida, o que vem ocorrendo nos últimos tempos chama a atenção", disse outro. A Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de La Plata (UNLP), a uma hora e meia de Buenos Aires, registrava em 2015 apenas 11 alunos brasileiros. Esse número saltou para 311 em 2017 e, neste ano, há 566 universitários brasileiros matriculados. A reitoria da Faculdade de Medicina da UNLP diz que, nesse caso específico, o aumento é explicado pelo recente fim da exigência da prova de admissão, colocando em prática uma lei nacional de 2015. "As provas (de admissão) deixaram de ser exigência para todas as universidades desde o retorno da democracia, nos anos 1980. Mas, por serem autônomas, algumas delas ainda aplicavam provas", explica o reitor da Universidade Nacional de Rosário (UNR), Hector Floriani, à BBC Brasil. Ali, dos cerca de 4 mil alunos de Medicina, 1,5 mil são brasileiros. A UNR, assim como a Universidade de Buenos Aires (UBA), já não exigia há anos o exame de admissão, nem mesmo para o curso de Medicina. Para facilitar a vida dos que chegam de fora, algumas universidades ainda oferecem cursos grátis de espanhol, antes de as aulas na faculdade começarem. A brasileira Raquel Moraes, 25 anos, estudou Engenharia durante cinco anos na Universidade de Brasília e decidiu passar para Medicina. Ela está no primeiro ano da Universidade de La Plata e conta que optou por Buenos Aires justamente pela gratuidade e facilidade de ingresso. "Tem muitos brasileiros estudando aqui", agrega. Críticas No entanto, o acesso ilimitado e gratuito - que é igual para argentinos e estrangeiros - começa a despertar críticas em alguns setores acadêmicos. Ainda de forma incipiente, há quem defenda que o acesso continue irrestrito, mas apenas para os estrangeiros que cursaram os ensinos fundamental e médio na Argentina e que provavelmente continuarão vivendo no país. "A Argentina tem mais de 20% de pobres. Não é mais um país rico. Como podemos sustentar a educação da classe média brasileira?", questiona um assessor acadêmico. O reitor Floriani, da UNR, admite que a crescente presença brasileira tem causado preocupação. "É interessante contar com alunos estrangeiros, porque a troca é enriquecedora. Mas depende da quantidade de alunos. Mil e quinhentos (brasileiros) é um número elevado. Além disso, não existe um sistema de reciprocidade. Não imagino que uma universidade federal brasileira receba 1,5 mil alunos argentinos", diz ele, destacando ainda que 80% do sistema universitário argentino é financiado por dinheiro público. Segundo o reitor, algumas famílias brasileiras têm achado mais vantajoso economicamente enviar o filho para uma universidade argentina, mesmo pagando passagem e estadia, do que mantê-lo em uma universidade particular brasileira. Isso apesar de o custo de vida não estar baixo na Argentina, onde a inflação deve chegar a 20% neste ano. Procurados pela BBC Brasil, o Ministério da Educação da Argentina e o Consulado do Brasil no país vizinho informaram não ter dados atualizados sobre estudantes brasileiros nas universidades públicas. Em São Paulo, o ex-ministro brasileiro da Educação Renato Janine Ribeiro concorda que a gratuidade do ensino e a não existência do vestibular são os motivos que atraem os estudantes brasileiros para as universidades argentinas. "É muito difícil entrar para uma universidade pública (no Brasil), principalmente em Medicina, e as particulares são caras", destaca. Mesmo no ensino particular há grande discrepância de valores. O preço da mensalidade de Medicina na faculdade Barceló, em Buenos Aires, onde a presença de brasileiros é a maior entre estudantes estrangeiros, é de 7,5 mil pesos (cerca de R$ 1.250). Já a mensalidade de uma faculdade particular no Brasil pode variar entre R$ 3,5 mil e mais de R$ 7 mil. "Temos estudantes brasileiros de vários lugares do Brasil, como Rio de Janeiro, Mato Grosso e Fortaleza", diz o Departamento de Relações Institucionais e Admissão da Barceló. Janine afirma ainda que a tradição do ensino argentino também contribui para atrair brasileiros, lembrando que ainda é "muito baixo" (20%) o percentual de brasileiros entre 18 e 24 anos matriculados no ensino superior. Fácil entrar, difícil sair? O especialista argentino Alieto Guadagni, membro da Academia Argentina de Educação, é um dos que tem levantado hipóteses para a maior presença de alunos brasileiros nas universidades argentinas. "Será que esses alunos não passaram no Enem no Brasil e buscam as universidades argentinas como alternativa?", questiona. Ao mesmo tempo, Guadagni afirma ainda que, embora seja mais fácil ser admitido, "é mais difícil concluir a faculdade na Argentina". Ele cita dados oficiais de 2015 que apontam que, a cada 10 mil habitantes na Argentina, 29 estudantes concluíram a universidade (não há dados específicos sobre estudantes brasileiros) naquele ano. Sob os mesmos critérios, no Brasil foram 56 estudantes. "Ou o ensino aqui é mais exigente ou os alunos estão menos preparados quando entram na universidade e por isso têm dificuldade de chegar ao final da faculdade", analisa Guadagni. Como regra própria, a Universidade de Buenos Aires, a maior da Argentina, ministra o Ciclo Básico Comum (CBC), que é o primeiro ano de estudo na instituição e vale para estudantes de todas as áreas, incluindo Medicina. O curso pode ser ministrado até à distância. O CBC é cursado durante um ano e oferece cursos específicos paralelos, como compreensão de texto e matemática, para aqueles que apresentam dificuldades para acompanhar o ritmo das matérias. O objetivo, informou a UBA, é "nivelar" a educação dos alunos para facilitar o ensino e aprendizagem "igualitários" nas aulas. 'Meus pais não poderiam pagar' A brasileira Rafaela Laiz, 20 anos, começou a cursar à distância o CBC neste ano e pretende se mudar de Lajinha (MG) para a Argentina em 2019, para cursar Medicina na UBA. "Quero ser cardiologista, mas a faculdade aqui no Brasil é muito cara, em torno de R$ 5 mil. Meus pais não poderiam pagar. Por isso, me inscrevi no CBC da UBA, e no ano que vem vou para Buenos Aires", conta. "Já soube que a prova para revalidar meu diploma argentino aqui no Brasil é bem difícil, mas mesmo assim vale a pena." O Revalida é o exame anual realizado no Brasil para que brasileiros ou estrangeiros que cursaram Medicina no exterior possam exercer a carreira de médico no país. O exame, aplicado pelo INEP (ligado ao Ministério da Educação), é considerado exigente. Em 2016, o índice de reprovação chegou a quase 60%. A UBA, escolhida por Rafaela Laiz, tem 300 mil alunos (40 mil em Medicina) - sendo 4% deles estrangeiros, liderados por brasileiros, que começaram a chegar em maior número a partir de 2016. Os últimos dados disponíveis apontam que mais de 60% dos brasileiros que estudam na UBA escolhem a carreira de Medicina. O subsecretário de Assuntos Internacionais de UBA, Patrício Conejero, diz à BBC Brasil que o destaque da instituição nos rankings universitários internacionais acaba atraindo estrangeiros. "O acesso à universidade é igual para argentinos e estrangeiros. A presença de estudantes estrangeiros contribui para melhorar nossa performance internacional", opina.
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16/04 - Garoto com autismo constrói réplica do Titanic com 56 mil peças de Lego
Museu no estado americano do Tennessee diz que obra é a maior reprodução do navio com peças de brinquedo. Brynjar em uma das exibições de sua réplica do Titanic Arquivo Pessoal Um garoto que tem o transtorno do espectro autista (TEA) construiu uma réplica do navio Titanic que foi considerada o maior exemplar do tipo feito com peças de Lego. De acordo com o Titanic Pigeon Forge, museu nos EUA dedicado ao navio, o trabalho de Brynjar Karl Birgisson mede quase 8 metros de comprimento por 1,5 metro de altura, e é o maior do tipo conhecido no mundo. O resultado do trabalho estará em exibição no museu, localizado no Tennessee, a partir do dia 21. Mas toda a construção foi feita em um "estaleiro" bem distante dos EUA, já que Birgisson vive na cidade de Reykjavík, capital da Islândia. Quando começou o projeto, ele tinha 10 anos e demorou 11 meses para concluir o trabalho. Atualmente o adolescente tem 15 anos e conta que a decisão de construir a réplica mudou sua vida e a sua relação com o transtorno. Initial plugin text Brynjar Birgisson diz se lembrar de ter começado a brincar com as peças de Lego aos cinco anos. Quando era um garoto já em idade escolar conheceu o Titanic e decidiu construir o navio, inspirado por uma visita a um parque dedicado ao Lego na Dinamarca. "Meu pai me ajudou com as instruções e fez a planta do navio para a escala do Lego", explica o adolescente, acrescentando que cada peça de boneco Lego tem 4 cm e foi equiparada no projeto com uma pessoa de tamanho médio de 1,75 metro. "Já minha mãe foi minha técnica e mentora. Ela ajudou a encontrar caminhos para o sonho se tornar realidade", conta, explicando que ela foi a responsável por comprar peças, ferramentas, organizar contato com a imprensa e visitas ao projeto. "Muitos obstáculos que uma criança não poderia superar", comenta. Atualmente, Brynjar faz sua terceira visita aos EUA. Em uma das anteriores ele falou em um TEDx Kids em San Diego. "Nunca imaginei que meu projeto pudesse ter tanto impacto. (...) Toda essa jornada me ajudou a sair da sombra do autismo. Eu continuo com autismo e vou continuar, mas eu me treinei para ser 'o mais normal possível', isso quer dizer que eu era totalmente incapaz de me comunicar quando comecei o projeto e agora eu me sento e consigo dar entrevistas." O garoto explica que, aos 10 anos quando começou a construir o Titanic, uma pessoa o ajudava durante todas as atividades da escola. "Mas hoje eu estudo sem qualquer apoio. Minhas notas subiram e meus colegas de turma me consideram como um dos seus pares", conta. Réplica do Titanic está exposta em museu nos EUA: adolescente com autismo diz que processo de construção do navio ajudou nos relacionamentos e na escola. Divulgação/TitanicPigeonForge.com
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16/04 - Como usar brincadeiras para ensinar habilidades essenciais a crianças, segundo Harvard
Perseverança, foco, planejamento, cooperação e autocontrole podem ser estimulados com atividades desde em bebês até adolescentes; veja dicas de centro especializado em desenvolvimento infantil da universidade americana. Pensar antes de agir, planejar e traçar objetivos, focar a atenção, ser flexível e controlar as emoções são habilidades consideradas essenciais na vida adulta, e pesquisas científicas mostram que elas devem ser ensinadas desde cedo. Em Harvard, o Center on the Developing Child, que estuda desenvolvimento infantil, preparou um guia para ensinar pais, professores e cuidadores a estimular, em crianças de todas as idades, essas que são chamadas de funções executivas - ou de "habilidades para a vida". "São habilidades para a vida porque são importantes para qualquer emprego, para buscar objetivos, para ser pai e mãe ou para cumprir múltiplas tarefas simultaneamente, por exemplo", diz à BBC Brasil o médico Jack Shonkoff, diretor do centro de Harvard. "Não são conceitos novos, mas com o avanço da neurociência passamos a entender como eles impactam o desenvolvimento." O centro equipara as funções executivas a um sistema de controle de tráfego aéreo, que gerencia diversas informações ao mesmo tempo e tem de tomar decisões com base nelas. A ausência de funções executivas bem desenvolvidas resulta em adultos menos produtivos, menos hábeis para o trabalho em equipe, com piores autocontrole e traquejo social. Shonkoff destaca que essas funções se desenvolvem desde a infância até o início da vida adulta, mas é crucial formar uma base desde os primeiros meses de vida da criança, porque, quanto mais essas habilidades forem praticadas, melhores elas serão. "Sem essa base, será mais difícil aprender mais adiante." O desenvolvimento de funções executivas também pode ajudar as crianças a entender suas emoções e aprender a controlá-las - um auxílio importante para pais contornarem problemas comportamentais ou disciplinares. 'Todos pagamos o preço' O Center on the Developing Child destaca que, quanto mais crianças desenvolverem esse tipo de habilidade, melhor será para todo o mundo. "Quando nos asseguramos de que as crianças tenham sólidas bases (socioemocionais), toda a sociedade se beneficia", agrega Shonkoff. "Porque todos pagamos um preço quando há adultos com baixo controle de seus impulsos ou que não sejam bons pais." Pais e cuidadores têm um papel crucial, porque as funções executivas não se desenvolvem automaticamente, ao contrário de andar ou falar - que a criança aprende só de observar os adultos. Ela precisa de mentores que as ensinem a controlar seus impulsos ou a seguir regras - e que se assegurem de que o ambiente seja adequado. "Em ambientes imprevisíveis, instáveis e inseguros para as crianças, é mais difícil fomentar habilidades executivas, porque o estresse tóxico impede o desenvolvimento de circuitos no cérebro", explica Shonkoff. Por isso, um dos focos do centro de Harvard é estudar formas de intervir de modo eficaz em lares de pais excessivamente imprevisíveis, violentos, com histórico de vício em drogas ou com questões de saúde mental - e que, por isso, podem não conseguir criar um ambiente para que seus filhos as aprendam, gerando um círculo vicioso. "Programas de combate à pobreza muitas vezes são ineficientes quando ignoram (o estado socioemocional) dos pais ou apenas lhes dão conselhos como 'leia para seus filhos'", prossegue o médico. "É preciso buscar novas abordagens, que ajudem os pais a mudar suas vidas e a quebrar esse ciclo." Shonkoff destaca que todas as crianças nascem com o potencial de desenvolver essas habilidades, e cabe aos contextos onde ela está inserida - casa, escola e comunidade - estimulá-las para tal. A seguir, dicas do Center on the Developing Child para fomentar isso em bebês, crianças pequenas, crianças maiores e adolescentes: 6 a 18 meses de idade Veja algumas brincadeiras que estimulam a focar a atenção, usar a memória operacional (importante para a compreensão da linguagem, o raciocínio e o aprendizado) e praticar autocontrole. É importante, porém, que os adultos identifiquem os focos de interesse dos bebês e deixem que estes determinem a duração da brincadeira: Brincar de "esconde/achou!" ajuda a exercitar a memória, ao desafiar o bebê a lembrar quem está escondido e a esperar que a pessoa se revele. Esconda um brinquedo sob um pano e peça ao bebê que o procure; aumente o desafio à medida que ele identifique os objetos. Ao lembrar a mudança de lugar do brinquedo, ele exercita a memória. Crianças maiores vão se divertir se escondendo e escutando o adulto enquanto ele a procura. Uma variação dessas brincadeiras é esconder um objeto sob um de três copos virados para baixo e pedir que a criança adivinhe em qual ele está. Jogos de imitação divertem e desafiam o bebê a acompanhar as ações dos adultos, lembrá-las e esperar sua vez de repeti-las. Podem ser desde repetir gestos ou ordenar os brinquedos de certo modo (por exemplo, empilhar blocos ou colocar animais dentro de um cercadinho), para depois pedir ao bebê que repita. Nomear em voz alta os objetos que chamam a atenção do bebê vai prolongar o interesse dos pequenos pelos objetos, praticando o foco e, posteriormente, a memória. Conversas em vários idiomas devem ser praticadas com a criança desde seus primeiros meses. "Quanto mais cedo isso começar, mais ela será capaz de aprender o idioma", explica Shonkoff. "A princípio, o cérebro delas terá de se esforçar um pouco mais, mas o resultado disso serão funções executivas mais bem desenvolvidas." 18 a 36 meses É uma etapa de rápido desenvolvimento da linguagem, que por sua vez ajuda no desenvolvimento de funções executivas ao se relacionar a pensamentos e ações e ao cumprimento de regras: Ofereça o máximo de oportunidades para o bebê exercitar novas habilidades, como brincar de jogar e pegar bola, pular, correr para cima e para baixo em uma ladeira. Estipule regras simples, como correr até uma linha de chegada Narrar a brincadeira da criança ajuda-a a entender como a linguagem descreve suas ações. À medida que a criança cresce, é possível lançar perguntas: "O que você vai fazer a seguir?" ou "Quero ver você colocar a bola dentro do pote. Quais as formas de se fazer isso?" Pedir à criança que separe objetos por tamanho, forma ou cor, por exemplo, exige da criança entender as regras da atividade, memorizá-la e segui-la. É crucial, desde essa etapa, conversar sobre sentimentos, explicando à criança o que ela está sentindo: "Estou vendo que você está muito chateada!". Isso é muito importante para o desenvolvimento emocional infantil, sobretudo em momentos de adversidade, diz Shonkoff. "As crianças sentem medo, tristeza ou alegria sem nem sempre entender de onde vem isso. Quando explicamos os sentimentos, ajudamos a criar crianças mais resilientes e que aprendem a gerenciar suas emoções." A brincadeira imaginária também se fortalece nessa fase. Vale brincar de imitar adultos com objetos do dia a dia (panelas, vassouras) ou de imaginar, deixando a criança determinar qual "papel" ela e o adulto devem interpretar. 3 a 5 anos Essa é uma das fases de maior desenvolvimento das funções executivas. O objetivo principal é que elas consigam, aos poucos e em seu ritmo, ir dependendo menos da regulação dos adultos, então é importante ir dando autonomia sempre que possível. Brincar de imaginar ajuda a criança a desenvolver pensamentos complexos e a interpretar um papel - por exemplo recriando uma ida ao médico, montando sua peça de teatro ou contando uma história. Nessa etapa elas começam a conseguir brincar em grupo, cooperando entre si, algo importante na autorregulação. Estimule a criança a contar histórias, que vão crescendo em complexidade à medida que ela crescer - estimulando a memória e o uso de informações de modo coerente. Ajude-as a criar suas próprias histórias e peças. Brincadeiras de movimento com música, como "estátua" - tornando as tarefas mais difíceis à medida que a criança vencer os obstáculos -, ajudam a ensinar a sincronizar palavras, ações e ritmos. Já dá para estimular atividades silenciosas e de foco, como equilibrar-se em uma trave ou meio-fio da calçada, exercitar uma pose de ioga, jogar bingo ou fazer jogos de memória e quebra-cabeças mais complexos. Todos exercitam a flexibilidade cognitiva. Cozinhar, dando orientações e mensurações às crianças, ajuda a ensiná-las e esperar e compreender instruções complexas, além de desenvolver a memória e o foco. 5 a 7 anos Jogos com regras e desafios crescentes permitem às crianças exercitar habilidades como atenção, foco, memória operacional, cooperação e autocontrole. Sugira jogos que sejam desafiadores, mas não em excesso, e esteja pronto para ajudar a negociar eventuais conflitos que surjam durante a atividade - por exemplo, usando cara ou coroa para designar de quem é a vez de jogar. Estimule jogos de tabuleiro, de cartas e de estratégia. Algumas sugestões: Uno, Mico, Duvido (também chamado de Desconfio), Batalha Naval ou Damas. Dança das cadeiras, "estátua", queimada, batata-quente, músicas de repetição em que cada jogador acrescenta uma frase nova e atividades semelhantes exigem que a criança esteja atenta, entenda regras, monitore as ações dos demais e reaja com agilidade. É uma fase importante para estimular a prática de esportes organizados - jogos que exigem coordenação e exercício aeróbico, como o futebol, ajudam a melhorar a atenção. Atividades como ioga e tae kwon do exercitam o foco, a atenção e o controle das ações. Atividades mais silenciosas podem exercitar a habilidade de resolver problemas, a autonomia e a reflexão. Bons exemplos são livros de atividades com labirintos e caça-palavras, quebra-cabeças ou jogos de adivinhar. 7 a 12 anos Nessa idade, é importante ir aumentando a complexidade das atividades e estimular as que envolvem regras, movimentos, flexibilidade e atenção seletiva. Jogos de baralho como Espadas e Bridge, Sudoku, palavras-cruzadas e cubo de Rubik (ou cubo mágico) desafiam o cérebro e estimulam a memória operacional; games fantasiosos de regras complexas, como Minecraft e Dungeons & Dragons, ajudam a praticar estratégias e objetivos. Esportes organizados, instrumentos musicais e aulas de dança ajudam a praticar diversos aspectos das funções executivas. Pular corda, com todas as suas variações, exige prática e foco. Aulas de música ou corais estimulam a seguir ritmos e desenvolver coordenação. Adolescentes Nessa fase, muitas vezes se exige de adolescentes um alto nível de funções executivas - seja em comunicação, gerenciamento de atividades e planejamento -, ainda que elas não estejam plenamente desenvolvidas. O Center for the Developing Child sugere atividades e conversas que ajudem os jovens a praticar as habilidades com base nos desafios que eles enfrentam nessa etapa. Estimule o adolescente a identificar um objetivo específico que queira conquistar - e que seja significativo para ele, não necessariamente para os demais. Pode ser organizar um evento social ou planejar a ida à universidade. Ajude a estabelecer passos de curto e longo prazo para as metas (por exemplo, quanto dinheiro será necessário economizar para comprar um celular novo) e pensar no que será necessário para alcançá-las. É importante monitorar o progresso. Questões sociais, como bullying, pobreza ou violência urbana, começam a despertar o interesse dos jovens nessa fase, mas por serem amplas demais podem causar sensação de impotência ou sobrecarga. Uma sugestão é ajudá-los a identificar ações concretas para enfrentar essas questões. Ajude o adolescente a pensar em formas de priorizar determinadas tarefas e de evitar interrupções, sobretudo de aparelhos eletrônicos e redes sociais. Olhar sob a perspectiva dos demais: estimular os jovens a traçar hipóteses sobre quais podem ser as motivações das outras pessoas para suas ações. Atividades como esportes, ioga, meditação, música, teatro, jogos de estratégia (como xadrez) ou mesmo de computador (desde que com limites de tempo) também ajudam a praticar foco, reduzir estresse, promover decisões menos impulsivas e gerenciar o próprio comportamento.
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16/04 - Enem no RJ receberá atenção na área de segurança, diz ministro da Educação 
Esquema que será usado durante o exame será discutido com o Ministério da Segurança Pública e com o Governo do Estado do Rio de Janeiro.  Ministro da Educação fala sobre segurança no Enem O ministro da Educação, Rossieli Soares, afirmou na manhã desta segunda-feira (16) que a segurança é uma preocupação do governo federal na realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Rio de Janeiro e que o Estado receberá atenção nesse sentido. “Nós vamos discutir isso com a equipe do Ministério da Segurança, com a Polícia Federal e com o próprio Governo do Estado do Rio de Janeiro”, destacou o ministro. Segundo Soares, já existe um mapeamento que é constantemente atualizado sobre quais os locais do RJ e do país que necessitam de uma atenção maior durante a realização do exame. “Temos já um mapeamento de onde é mais necessário e onde se requer mais segurança“. Segundo o titular da pasta, os mecanismos de segurança estão sendo constantemente atualizados. “Desde o ano passado já se colocaram outros indicadores de segurança. A prova já vem com o nome do aluno, por exemplo, até equipamentos propriamente usados na entradas das escolas”, contou Soares. Dois fins de semana Estruturalmente, a prova será semelhante à do ano passado. “Nós temos poucas mudanças para este ano. O Enem está garantido no mesmo formato do ano passado, com dois dias em dois fins de semana para dar tranquilidade aos estudantes”. Além do Enem, o ministro destacou a importância de parcerias com as instituições de ensino de outras esferas de governo, com atenção especial durante o período de intervenção na segurança pública. "O Ministério da Educação tem investido em parcerias com as escolas estaduais e municipais do Rio de Janeiro e da região próxima para que tenham ações voltadas para a cultura, para o esporte". Na capital fluminense, o ministro visitou o Instituto Benjamin Constant, instituição federal referência na educação e tratamento de pessoas com deficiência visual. Ele tratou dos detalhes de um convênio que permitiria a realização de mais cirurgias de catarata em convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS). "Temos uma residência em oftalmologia que carece de recursos humanos", afirmou João Ricardo Melo Figueiredo, diretor-geral do Instituto Benjamin Constant, que destacou que a instituição precisaria da adesão de 30 profissionais de saúde a mais para conseguir realizar cirurgias pelo SUS. Porém, o diretor acredita que a instituição poderia fazer a diferença na diminuição da fila de pessoas que esperam por uma operação, podendo chegar a mil cirurgias por mês. O ministro da Educação, Rossieli Soares (E), médico do Instituto Benjamin Constant e o diretor-geral João Ricardo Melo Figueiredo Cristina Boeckel/ G1
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16/04 - Inscrições para o Encceja 2018 estão abertas até 27 de abril
Provas do Encceja Nacional 2018 serão em 5 de agosto. Prova pode dar diploma de ensino fundamental e ensino médio para pessoas que não se formaram na idade correta. Inscrição do Encceja 2018 é feita no site do Inep Reprodução As inscrições para oExame Nacional para a Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja Nacional) 2018 foram abertas nesta segunda-feira (16) e poderão ser realizadas até as 23h59 de 27 de abril. As provas estão marcadas para 5 de agosto. De acordo com o governo federal, a novidade desta edição é que será preciso justificar ausência na prova de 2017. "Gratuito, o Encceja Nacional teve uma taxa de ausência de 60% em 2017", informa o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O Sistema de Inscrição pode ser acessado pelo endereço http://enccejanacional.inep.gov.br/encceja. Entre 30 de abril e 4 de maio serão recebidas as solicitações para Atendimento por Nome Social. A Datas das demais edições O Encceja Nacional terá provas em 5 de agosto e o Encceja Exterior, em 16 de setembro. As edições direcionadas a adultos submetidos a penas privativas de liberdade e adolescentes sob medidas socioeducativas que incluam privação de liberdade (PPL) serão realizadas em setembro. Enquanto o Encceja Exterior PPL terá as provas aplicadas entre 17 e 21, o Encceja Nacional PPL será realizado em 18 e 19. Inscrições do Encceja começam nesta segunda-feira Histórico O Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) é indicado para quem não concluiu os estudos no tempo regular. Até 2016, o Enem podia ser usado para obter o diploma do ensino médio ou fundamental. Foram 991.268 inscritos no último ano em que o Enem serviu para esse propósito. Em 2017, 1,5 milhão de pessoas no Brasil e no exterior se inscreveram no Encceja.
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16/04 - Em protesto, site da UnB é hackeado com menção a desenho japonês
Invasores usam nome de organização fictícia de 'Naruto' e cobram recomposição orçamentária da universidade. UnB investiga ataque. Site da UnB é hackeado com menção ao anime Naruto Reprodução O site da Universidade de Brasília (UnB) foi alvo de um ataque hacker neste domingo (15) por um grupo que pede a recomposição orçamentária e a auditoria das finanças da universidade. A reitoria da instituição foi ocupada na quinta-feira (12) por estudantes com as mesmas reivindicações. A autoria do ataque é desconhecida, mas os invasores se denominaram Akatsuki – mesmo nome de uma organização fictícia do desenho japonês "Naruto". No anime, a Akatsuki é formada por criminosos que agem secretamente para dominar o mundo. O problema foi notado pela primeira vez por usuários por volta das 16h de domingo. Em uma imagem fixada no topo da página, os hackers afirmam que querem “um Ministério da Educação mais justo”. O grupo reivindica "direito ao orçamento prometido" e cobra explicações sobre a crise orçamentária que a UnB enfrenta (veja abaixo). A UnB confirmou, por meio de nota, que houve uma tentativa de invasão e que, por isso, o site da UnB foi tirado do ar. A universidade não informou quais sistemas foram afetados e afirmou que o Centro de Informática (CPD) está investigando o caso. Até as 11h, não havia previsão de retorno do portal. Esta é a segunda vez que um sistema da universidade cai apenas em abril. No último dia 7, a rede de internet da UnB ficou fora do ar da manhã até o início da noite, afetando o funcionamento do ensino à distância, do Restaurante Universitário e da Biblioteca Central. Segundo a universidade, a interrupção foi feita para manutenções de rotina. Reitoria da UnB fechada por estudantes durante ocupação TV Globo/Reprodução Crise na UnB Na última quinta-feira (12), a reitoria da UnB foi ocupada por cerca de 500 alunos que protestavam contra a crise financeira que a universidade enfrenta. O grupo afirmou que a queda no orçamento foi causada pela PEC 55, que limita os gastos federais à inflação do ano anterior. Após ocupação, reitora da UnB assina acordo de 'não penalização' A universidade alega que dos R$ 168 milhões arrecadados com aluguel de imóveis próprios, entre outras receitas, apenas R$ 110 milhões podem ser utilizados. O restante do dinheiro iria diretamente para os cofres da União. Por isso, medidas de austeridade como aumento dos preços do Restaurante Universitário e demissão de estagiários e terceirizados seriam tomadas. Já o Ministério da Educação afirmou que o orçamento da UnB subiu de R$ 1,66 bilhão em 2017 para R$ 1,73 bilhão em 2018, e que a administração da universidade deveria otimizar os recursos recebidos. Estudantes da UnB protestam em frente ao prédio do FNDE, em Brasília, na quinta-feira (12) Álvaro Costa/TV Globo Leia mais notícias sobre a região no G1 DF. *Sob a supervisão de Maria Helena Martinho
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16/04 - Unicamp 2018: Matriculados com renda familiar de até 2 salários sobem 38% e total de mulheres é o mais baixo em 11 anos
Perfil socioeconômico foi elaborado por comissão responsável por organizar exame. Coordenador diz que dados são influenciados por alta em isenções e mudanças em provas dos últimos anos. Candidata durante prova da 1ª fase da Unicamp, em Campinas Reprodução/EPTV O vestibular 2018 da Unicamp registrou alta de 38,8% na quantidade de matriculados com renda familiar de até dois salários mínimos e menor número de mulheres em 11 anos, segundo a comissão organizadora do exame (Comvest). Além disso, o levantamento indica aumento de aprovados com idade superior a 24 anos e diminuição de ingressantes que já trabalham. Os dados mostram que, entre os novos alunos, 379 têm renda familiar de até dois salários mínimos (R$ 1.908), enquanto foram 273 no ano anterior. Além disso, o total é o maior pelo menos desde 2013, quando o modelo de divulgação do perfil socioeconômico pela universidade foi padronizado. A faixa de dois a três salários mínimos (até R$ 2.862) também teve aumento: o total de estudantes subiu de 358 para 416 - alta de 16,2%. O resultado, explica o coordenador executivo da Comvest, José Alves de Freitas Neto, reflete as 8,6 mil isenções na taxa de inscrição (fixada em R$ 165) concedidas pela Unicamp, alta de 15,6% sobre a quantidade de benefícios em 2017. Redução de mulheres As estatísticas da Comvest revelam que o número de mulheres matriculadas na universidade é o menor em 11 anos. Na edição 2018 foram 1.334, que representam 40,3% das vagas preenchidas; ante 1.396 do processo seletivo anterior - índice de 42% das oportunidades disponíveis. Antes disso, o menor número foi de 1.285, contabilizado em 2007, de acordo com a universidade estadual. Para Freitas Neto, as estatísticas estão atreladas, por exemplo, ao formato das provas aplicadas pela Unicamp. A transferência da redação da primeira para a segunda fase do vestibular, a partir da edição 2015, afetou o índice de candidatas aprovadas na primeira etapa do processo seletivo. "Além disso, os garotos têm resultados superiores em provas de múltiplas escolhas do que garotas [...] É uma questão que estamos analisando para ver em que momento estabiliza, mas isso é coerente com avaliações internacionais. Temos dados de pesquisas nos Estados Unidos, Europa, onde o ingresso é medido por esse critério, e isso acaba impactando a presença de mulheres." Faixa etária O número de ingressantes com idade superior a 24 anos aumentou na Unicamp. Ao todo, foram registrados 337 estudantes, crescimento de 10% em relação aos 306 de 2017. Veja faixas: "Nós ainda precisamos analisar esse estudo, é possível que esteja ligado ao perfil de renda, talvez agora as pessoas estejam procurando uma oportunidade, pode também ao número de autodeclarados pretos e pardos aprovados [...] Mas isso muda um pouco perfil", diz o coordenador. Trabalho e estudos Outro dado demonstrado na pesquisa é o aumento do grupo de estudantes que não trabalham. Em 2017, segundo a universidade, o total de ingressantes que não exercia atividade remunerada era de 2.595; e o número subiu para 2.697 no ano passado - aumento de 3,9%. "Isso diretamente é a questão da crise econômica, falta emprego", ressalta Freis Neto. A pesquisa completa pode ser conferida no site da Comvest. Clique aqui. Inclusão social A Unicamp registrou diminuição de estudantes da rede pública aprovados no vestibular 2018 e ficou abaixo da meta de receber 50% dos ingressantes nesta classificação, segundo a Comvest. Por outro lado, houve recorde de matriculados autodeclarados pretos, pardos e indígenas. Para alcançar as metas de receber 50% dos estudantes oriundos da rede pública - por curso e turno - e buscar índice de 37,5% de autodeclarados pretos, pardos e indígenas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Unicamp implementará, a partir da edição 2019, cotas étnico-raciais e outras mudanças, como a criação de um vestibular indígena e a criação de vagas extras para destaques em olimpíadas que tenham abrangência nacional. Confira detalhes. De acordo com site da Unicamp, atualmente há 34,6 mil alunos matriculados nos cursos de graduação e pós oferecidos nos campi de Campinas (SP), Limeira (SP) e Piracicaba (SP). Veja mais notícias da região no G1 Campinas.
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16/04 - Professor da Unicamp e 'pupilo de pano' ensinam matemática em vídeos na web
Régis Varão aborda temas complexos em aulas divertidas com a ajuda do boneco Joaquim. Professor da Unicamp interage com boneco Joaquim em vídeos de matemática na web Um professor da Unicamp encontrou uma maneira descontraída de ensinar matemática na internet. Com a "ajuda" de Joaquim, um simpático boneco de pano, Régis Varão produz vídeos onde explica cálculos, fórmulas e conceitos de forma simples e divertida, tudo para atrair a atenção de alunos que sentem dificuldade em assimilar a disciplina. "Eu queria que a matemática chegasse às pessoas", afirma. Varão e o "pupilo" Joaquim já protagonizaram nove vídeos no primeiro mês de vida do canal "Fantástico Mundo Matemático", onde abordam temas como Faixa de Möbius, Topologia e Teoria dos Nós. O mais acessado deles, ultrapassou a marca de 3 mil visualizações. Antes de criar o canal, o professor passou meses amadurecendo a ideia. Aprendeu a editar os vídeos sozinho e utiliza as madrugadas de sábado, um dos poucos momentos que tem livre fora do ambiente universitário, para gravar o conteúdo semanal. Em um estúdio improvisado em casa, usa o celular como câmera. "Eu achava que a ideia era legal, mas uma coisa é você achar e outra é testar e ver no que vai dar." Varão ressalta que sempre sonhou em transmitir conhecimento fora das portas da universidade. Antes de criar o canal no YouTube, pensou em escrever um livro, mas abandonou a ideia por achar que a didática não seria tão boa. Professor de matemática da Unicamp, Regis Varão e seu pupilo Joaquim Bruno Oliveira/G1 Joaquim Bem humorado, o professor brinca que precisou fazer algumas audições para escolher o melhor parceiro de filmagem. "Bronquinha" e "Sócrates" foram testados antes do menino de pano Joaquim aparecer. Os dois não se encaixaram por não passarem nos pré-requisitos estipulados por Varão. "Aí apareceu o Joaquim e ficou assim, ele foi convocado pra estar ali... ele fez o teste né?", diz, entre risos. De acordo com Varão, a presença de Joaquim na telinha traz mais dinâmica aos vídeos, uma vez que somente um "professor de matemática falando sobre matemática não soaria tão original". Para atrair atenção do público, ele mantém uma página do canal em uma rede social onde interage com os espectadores para tirar dúvidas e qualificar o conteúdo das aulas veiculadas na web, além de criar piadas relacionadas ao tema do último vídeo publicado utlizando a imagem de Joaquim. Joaquim interage com o público por meio de piadas na web Bruno Oliveira/G1 'Ninguém aprende nada de primeira' Como professor, Régis defende que nem todo mundo tem facilidade em assimilar os temas matemáticos. Porém, acredita que quem assiste aos vídeos, com conteúdo simplificado, pode se interessar e dar continuidade aos estudos. "Isso passa uma ideia muito boa, ajuda a desmistificar aquilo de que quem tá fazendo matemática precisa pegar tudo de uma vez", explica. "Isso faz uma diferença muito grande na vida da pessoa. A vida é relativamente igual para todo mundo, está todo mundo tentando aprender". Régis afirma que o objetivo do canal não é transformar quem assiste em matemático. A ideia é transmitir fundamentos necessários para o aluno "se dar bem no conteúdo" e fazer com que a disciplina seja vivenciada por quem não se sente confrotável em uma sala de aula. Varão reforça que muito daquilo que é estudado em matemática veio de cientistas que viveram há muitos anos, e o que acontece é acúmulo de conteúdo com o passar do tempo. "Se um médico fizer um procedimento que se fazia há 30 anos ele pode ir preso, mas isso não acontece na matemática porque aquilo que foi estudado 300 anos de Cristo, os alunos veem hoje", afirma. Recepção calorosa A recepção do canal no meio acadêmico foi tão grande que o professor ficou surpreso. "Os alunos chegaram e falaram 'você tá famoso, hein? Todo mundo tá falando do canal!', porém eu ainda não tenho muita noção do quanto isso tem atingido as pessoas", garante. Assim que publicados, os vídeos foram compartilhados por instituições de matemática, como a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA). Os colegas de profissão divulgaram o canal para seus alunos e outros acadêmicos, criando uma rede de compartilhamento que atingiu pessoas de outros estados do país. "Fiquei extremamente surpreso porque deu supercerto, a comunidade acadêmica matemática aceitou isso plenamente", festeja. O próximo passo, avisa Varão, é chegar aos alunos do ensino médio, o público-alvo definitivo do canal. Página da Sociedade Brasileira de Matemática ajudou na divulgação do canal "Fantástico Mundo Matemático" Reprodução/Facebook Projetos futuros Mesmo que algumas vezes a relação entre os temas gravados pelo professor sejam parecidos com os abordados em aulas na Unicamp, as duas atividades se mantêm distantes uma da outra. Régis não utiliza os vídeos em classe, mas com o passar do tempo, pretende montar grupos de estudos para selecionar o que vai falar em seu canal e, até mesmo, contar com a ajuda de alunos para editar e produzir os vídeos. O professor brinca que aprender a fazer vídeos mais profissionais e até mesmo com efeitos especiais. "Eu até gostaria que fizesse um 'ba bum tum', explodir as coisas... mas não sei se é possível", completa. *Sob supervisão de Fernando Evans Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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15/04 - Cotas raciais: 15 anos depois, professora da UnB faz balanço sobre reserva de vagas
Universidade de Brasília foi 1ª federal do país a adotar sistema nos vestibulares. G1 ouviu a professora Renísia Filice; leia entrevista. Alunos conferem resultado de vestibular da UnB, em imagem de arquivo (Foto: Divulgação/UnB Agência) No mês em que a política de cotas raciais da Universidade de Brasília (UnB) completa 15 anos, uma portaria publicada na última terça-feira (10), pelo governo federal, reacendeu o debate sobre o sistema que reserva vagas para negros e indígenas em seleções públicas. Com a nova medida, fica regulamentado no país que, ao se autodeclarar negro – preto ou pardo –, o candidato a um concurso público deverá passar, obrigatoriamente, por uma comissão avaliadora. A "heteroidentificação", como é chamado o procedimento, significa que a autodeclaração do candidato sobre a própria etnia será confirmada por uma banca. A medida tenta evitar fraudes, e garantir que apenas candidatos negros e indígenas sejam contemplados pelas cotas voltadas a eles. Candidatos cotistas de concursos federais passarão por análise visual Pioneira na implementação das cotas raciais, a UnB ainda não adota, de forma ampla, esse método. Para ter acesso às vagas, basta a declaração do próprio estudante. No entanto, em 2017, após uma série de suspeitas, a universidade instaurou uma comissão para investigar, pelo menos, 100 alunos brancos que teriam entrado pelas cotas. UnB apura 100 casos de suposta fraude em cotas raciais Professora da UnB, Renísia Filice faz balanço sobre 15 anos de implementação das cotas raciais na universidade Marília Marques/G1 Membro da comissão que apura os casos, a professora da UnB Renísia Filice – doutora em educação e pós-graduada em estudos étnicos e raciais – recebeu o G1 em seu gabinete para um balanço dos 15 anos de políticas afirmativas no país. Sobre a investigação, a docente afirma que os candidatos estão sendo reavaliados. "Pretendemos terminar os trabalhos ainda no primeiro semestre", diz. Em entrevista anterior, Renísia explicou que a ideia da comissão "não é punir, apontar dedos, e nem instituir qualquer coisa como um tribunal racial", mas, sim, "propor uma discussão". Confira, abaixo, a entrevista com a professora Renísia Filice: G1 - As cotas completam 15 anos em 2018 e são uma conquista dos movimentos que promovem a igualdade racial no país. Como podemos explicar o que são essas políticas afirmativas e por que elas são importantes? Renísia Filice - As políticas afirmativas extrapolam o sitema de reserva de vagas para negros, negras e indígenas. Essas são políticas criadas, especificamente, para tratar os diferentes como diferentes. As políticas afirmativas, como as cotas, são pensadas pelo governo para interferir nessas mazelas, tentando equalizar as oportunidades para que as pessoas possam concorrer em condições mínimas de igualdade. A ideia de República prega que todos têm que ser tratados com igualdade. Cabe ao Estado reconhecer essa desigualdade e pensar como superar a diferença imensa que há em relação ao tratamento dado a essas populações. Professora Renísia Filice, da UnB, faz balanço sobre cotas raciais Marília Marques/G1 G1 - Qual balanço podemos fazer de uma década e meia dessas políticas? Há mais inclusão ou as mudanças ainda não são perceptíveis? Renísia - Temos uma legislação que avançou, mas, por outro lado, as mudanças foram muito pequenas. Há muito por se fazer. "É dificil encontrar um brasilerio que fale que não há racismo, mas em compensação, quase ninguém se reconhece como racista." A UnB foi a primeira federal a adotar cotas. Os dados que apresentamos mostram que a presença de mais cotistas, em hipótese alguma, diminuiu a qualidade da instituição. Em termos qualitativos, os estudantes negros podem ter entrado com uma defasagem, mas já estão equiparados aos demais, têm mais horas de estudos. Em relação à juventude negra, temos o Mapa da Violência que permite ver que os jovens negros continuam sendo os mais massacrados. Para isso foi criado o Juventude Viva [programa do governo federal], mas as políticas nunca saíram do papel. Faltou monitoramento e compromisso. G1 - Falando especificamente da política de cotas raciais. Qual balanço podemos fazer desses 15 anos de implementação na UnB? Renísia - Foi um grande acerto essa denominação de pretos e pardos pelo IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística]. O que assegura essas pessoas é o pertencimento racial. O Brasil ainda não se reconciliou com sua origem negra e indígena. No caso do acesso à UnB, nada está resolvido. As pessoas têm receio do deslocamento, no sentido de sair da sua zona de conforto e pensar que o Brasil é muito mais do que elas querem crer. "O sistema de cotas abalou a conjuntura, mas não mudou a estrutura." Às vezes, essas pessoas estão tão motivadas pela sua forma de entender o mundo que não percebem que outras dinâmicas são possíveis. É importante o ingresso e mais importante ainda a permanência com qualidade. Aula em anfiteatro da Universidade de Brasília (UnB) Isa Lima/UnB Agência G1 - Em 2004, o primeiro grupo de alunos cotistas acessava o ensino superior. Na época, qual era o pensamento da maioria dos professores? Existia um preconceito sobre o desempenho desses estudantes? Renísia - Em função da não-assistência do Estado para inclusão de pessoas negras e indígenas, temos um grande número de alunos na rede pública que não têm um corpo docente qualificado. Então, elas vêm com uma defasagem. Logo após a abolição da escravatura, um grande número de pessoas foi largada à própria sorte, a população negra foi alijada desse atendimento. Hoje o ensino nas escolas públicas não oferece as mesmas condições. Não tem a ver com a capacidade dos alunos, mas a ausência de oportunidades faz com que ele chegue com essa defasagem. "A nota de corte existe. Se existe uma reserva de vagas para negros, eles vão ocupar essas vagas." Nas [universidades] federais, temos 1% de professores negros, por isso as políticas afirmativas são para que tenhamos uma lei que ressignifique a identidade negra e procure criar um corpo docente diferenciado. Renísia Filice, professora da UnB, é doutora em educação e pesquisa questões raciais na universidade Marília Marques/G1 G1 - Vivemos um momento de risco às políticas afirmativas no país? Renísia - Se houver uma avaliação séria, seria mínima a possibilidade dessas políticas acabarem, porque os resultado são positivos. Vemos como jovens negros estão se sentindo muito mais organizados, ocupando espaços no mercado de trabalho. G1 - Como é possível garantir mais ações de igualdade no dia a dia, em empresas privadas, em outros ambientes que fogem à gestão do Estado? A presença negra em cargos executivos e de gerência ainda é ínfima. Houve mudanças ao longo do tempo, mas poucas. "Em cargos de gestão, por exemplo, a população negra ainda não está representada." Existem, sim, propostas para que as políticas afirmativas cheguem às empresas, mas em sua maioria o Estado tem respondido mais que a iniciativa privada. Cotas raciais no país Alunos no Instituto Central de Ciências (ICC) da Universidade de Brasília (UnB) Secom/UnB Foi em abril de 2003 que a Universidade de Brasília divulgou a decisão que iria aderir ao sistema de reserva de vagas para candidatos negros e indígenas. No ano seguinte, no segundo semestre de 2004, cerca de 450 alunos tiveram direito a 5% do total de vagas. Oito anos depois, a Lei de Cotas foi estendida para todas as instituições federais de ensino superior do país, no entanto, além de racial, o critério passou a ser também social, ou seja, alunos de baixa renda, que estudaram em escolas públicas – mesmo que brancos – também começaram ter direito às vagas reservadas. Uma década e meia depois, a UnB se destaca por ter, pela primeira vez, mais da metade do número de alunos, que se autodeclaram negros. Em 2017 o grupo representava 50,6% dos matriculados. Universidade de Brasília tem mais estudantes negros que brancos Um levantamento da universidade, feito a pedido da reportagem, mostra que, nos últimos 15 anos, 47 mil estudantes acessaram cursos de graduação e de pós-graduação por meio das cotas. Confira o gráfico: Veja mais notícias sobre a região no G1 DF.
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15/04 - Enem 2018 recebe pedidos de isenção da taxa de inscrição até este domingo
Prazo termina às 23h59 e não será prorrogado, segundo o Inep; resultado será divulgado no dia 23. Detalhe da página de prova do Enem que detalhava o pedido para redação sobre formação educacional de surdos no Brasil. Arquivo/G1 Termina neste domingo (15) o prazo para candidatos da edição 2018 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) solicitarem a isenção na taxa de inscrição das provas. Este é o primeiro ano no qual o governo federal muda o cronograma e exige o pedido prévio de isenção antes da abertura das inscrições, apostando que a medida vai gerar economia. Em cinco anos, o Enem teve quase R$ 1 bilhão de prejuízo com faltas. O prazo para pedir isenção vai até as 23h50 deste domingo e, segundo confirmado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ao G1, ele não será prorrogado. Até as 14h45 de sábado(14), o Inep tinha registrado 3.472.247 pedidos de isenção. É necessário entrar em uma página especial do site do Enem e preencher os campos com os dados pessoais. (Veja o passo a passo para o pedido de inscrição) Nesta edição, o valor a ser pago para fazer a prova é de R$ 82. Estão isentos aqueles que: estão cursando a última série do Ensino Médio, em 2018, em escola da rede pública declarada ao Censo Escolar; fizeram todo o ensino médio em escola da rede pública ou como bolsistas integrais na rede privada, e têm renda, por pessoa, igual ou menor que um salário mínimo e meio (R$ 1.431); estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica por serem integrantes de família de baixa renda e que possuam Número de Identificação Social (NIS), único e válido, e renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo (R$ 477) ou renda familiar mensal de até três salários mínimos (R$ 2.862); fizeram o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2017 e atingiram nota mínima para certificação. Em 2017, 3,24 milhão de candidatos (48,2% do total) conseguiram o direito à isenção, após comprovarem a renda. Outros 1,48 milhão (22,1%) não pagaram a taxa de inscrição por serem concluintes do ensino médio na rede pública. O restante dos inscritos - 1,99 milhão (29,7%) - pagou a taxa. Lembrando que, no ano passado, ainda não havia o benefício para participantes do Encceja. Resultados dos pedidos de isenção Os alunos que solicitarem a isenção da taxa de inscrição dentro do prazo saberão se o pedido foi aprovado no dia 23 de abril. Caso seja negado, é possível recorrer entre 23 e 29 de abril. Nesses dias, o candidato poderá apresentar novos documentos que comprovem seu direito à isenção. Inscrições Mesmo aqueles candidatos que tenham o pedido de isenção aprovado precisam fazer a inscrição no Enem. Isentos ou não, todos os participantes do Enem 2018 devem se inscrever no site do Enem entre os dias 7 e 18 de maio. Calendário 15 de abril: último dia para solicitar a isenção da taxa de inscrição 23 de abril: resultados dos pedidos de isenção 23 a 29 de abril: intervalo para apresentar novos documentos, caso o pedido de isenção seja negado 7 a 18 de maio: inscrições do Enem (para todos os candidatos, isentos ou não) 4 e 11 de novembro: provas do Enem 2018 Acaba neste domingo prazo para pedir isenção da inscrição do ENEM Cadernos de prova do Enem Ana Carolina Moreno/G1
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14/04 - Ocupação na UnB completa três dias; reitora assinou acordo de 'não penalização'
Estudantes querem acesso ao orçamento e rejeitam plano de demissões. MEC, reitoria e alunos devem se reunir na segunda. Reitoria da UnB fechada por estudantes durante ocupação TV Globo/Reprodução Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) mantiveram neste sábado (14), pelo terceiro dia, a ocupação do prédio da reitoria no campus Darcy Ribeiro, no Plano Piloto. O grupo pede acesso ao orçamento da instituição e questiona medidas de austeridade anunciadas pelos gestores (veja detalhes abaixo). O pacote inclui corte de terceirizados e estagiários. A perspectiva é de que a ocupação seja mantida, pelo menos, até a próxima segunda-feira (16). O G1 entrou em contato por e-mail com os representantes do movimento, e aguardava retorno até as 17h deste sábado. Em redes sociais, os alunos publicaram um documento assinado pela reitora da UnB, Márcia Abrahão Moura. Segundo a postagem, ela compareceu à ocupação neste sábado e firmou compromisso de que "nenhum estudante ou trabalhador presente [...] será penalizado de forma administrativa por iniciativa da Reitoria". Documento assinado pela reitora da UnB, Márcia Abrahão, e divulgado por alunos que ocupam reitoria da instituição Reprodução Apesar do gesto, a publicação não informa perspectiva de que o espaço seja liberado. Em outra postagem, feita no início da manhã, o movimento "Ocupa UnB" fala sobre a necessidade de uma "reunião institucional" entre estudantes, reitoria e o Ministério da Educação. Reunião chave O chefe de gabinete da reitoria da UnB e professor Paulo Cesar Marques afirmou ao G1 que, desde o início da ocupação, na tarde de quinta-feira (11), não voltou a entrar no prédio. Segundo ele, a administração tem conhecimento de duas vidraças quebradas – "porque ouvimos os barulhos" –, mas não sabe dizer como está a conservação do local. Segundo Marques, a desocupação do espaço pelos estudantes está "condicionada" à reunião, pré-agendada para a próxima segunda. A previsão é de que o encontro aconteça na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O MEC diz que não se opõe à reunião, desde que ela aconteça em um ambiente fechado – e não, no espaço ocupado pelos alunos. Os estudantes defendem uma reunião aberta, e devem analisar essa mudança em uma assembleia. Por telefone, a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) confirmou ao G1 o convite para essa primeira rodada de negociações. Segundo ela, a reitoria e os estudantes confirmaram presença. Até a tarde deste sábado, apenas o MEC ainda era uma incerteza. "Houve uma resistência do Ministério da Educação, e não da UnB, de fazer essa mesa pública. Eles querem uma reunião fechada, prévia. Então, essa reunião de segunda será fechada, e não uma audiência pública. A partir daí, vamos definir", informou Erika. Além de mediar o encontro, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara avalia investigar episódios de violência policial no ato em frente ao MEC, na última terça (10), e propor uma auditoria de técnicos da Câmara sobre a real situação orçamentária da UnB. Alunos da Universidade de Brasília (UnB) fazem assembleia no Instituto Central de Ciências Arquivo pessoal O que diz a UnB? A reitoria da UnB trabalha com a previsão de um déficit orçamentário de R$ 92 milhões para 2018, o que levou a universidade a anunciar medidas de austeridade, tais como a demissão de estagiários e a discussão sobre o aumento do preço do Restaurante Universitário (RU). A instituição prevê arrecadação de R$ 168 milhões, mas, deste valor, só pode usar R$ 110 milhões. Na prática, isso significa que a UnB coloca no caixa do governo federal R$ 58 milhões que não poderão ser utilizados. O valor serve para diminuir o déficit das contas públicas. Por que a UnB não pode gastar todo o dinheiro que arrecada? Segundo a reitora Márcia Abrahão, a administração está fazendo "o possível" para manter a universidade em funcionamento com o corte de investimentos do Ministério da Educação e orçamento aprovado pelo Congresso Nacional. O que diz o MEC? Em nota, o Ministério da Educação afirma que a UnB teve um aumento no orçamento, de R$ 1,66 bilhão em 2017 para R$ 1,73 bilhão em 2018. Segundo a pasta, o orçamento é elaborado todos os anos seguindo um decreto de 2010, que prevê a observação das verbas de custeio e de investimento. "A Matriz, denominada Matriz Andifes, considera dados de fontes oficiais de acordo com a quantidade de alunos matriculados, formados, produção acadêmica, produção científica, conceitos dos cursos de graduação, conceito dos programas de mestrado e de doutorado, entre outros", diz o MEC. O MEC também afirma que o orçamento é liberado de acordo com os valores na Lei Orçamentária Anual (LOA) e de acordo com a legislação. "A decisão de aplicação dos recursos para pagamento de despesas de funcionamento (limpeza, água, luz, serviços terceirizados, passagens e diárias) é da própria universidade de acordo com sua autonomia universitária", afirma a pasta. Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.
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14/04 - Unicamp registra alta de 61,4% de calouros residentes fora de SP no vestibular 2018
Universidade recebeu 247 ingressantes de 19 estados e Distrito Federal neste ano. Comissão prevê elevar índice e aplicar provas em mais municípios na próxima edição do exame. Calouros da medicina e fonoaudiologia são recebidos com festa de alunos Luciano Calafiori/G1 O número de calouros da Unicamp residentes fora de São Paulo aumentou 61,4% no vestibular 2018, segundo a comissão organizadora do exame (Comvest). Ao todo, foram 247 ingressantes de 19 estados e do Distrito Federal, 94 a mais que a edição anterior. Veja tabela. O maior número de aprovados está concentrado em Minas Gerais, que voltou a receber aplicações das provas em Belo Horizonte no processo seletivo mais recente. Ao todo são 82 alunos entre os 3,2 mil aprovados, aumento de 36,6% em relação ao ano passado, informou a Comvest. Na sequência estão os estados do Paraná (27), Bahia (22) e Rio de Janeiro/Espírito Santo (20). Fortaleza também foi recolocada na lista da universidade e o Ceará teve 18 matriculados na universidade, quantidade seis vezes maior do que a contabilizada na edição anterior. Para o coordenador executivo da Comvest, José Alves de Freitas Neto, os números representam crescimento da diversidade na Unicamp. "Enriquece e recupera um pouco do perfil da Unicamp de atrair talentos de todo território nacional", ressalta. O total de calouros do estado de São Paulo passou de 3.095 (95,2% das 3.248 oportunidades preenchidas) para 3.080 (92,5% das 3.327 ingressantes), diz o levantamento da universidade. Mudanças A expectativa da comissão é elevar o índice de ingressantes a partir da edição 2019, quando serão implementados novos modelos para distribuição das 3,3 mil vagas nos cursos de graduação. Entre eles está a seleção por meio do desempenho no pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). De acordo com Freitas Neto, a universidade deve aplicar as provas do vestibular em pelo menos mais uma capital estadual, com tendência para a região Nordeste, e expandir o número de cidades paulistas. Em 2018 foram 30, além da capital, após inclusão de Indaiatuba (SP) e Valinhos (SP). Inclusão social A Unicamp registrou diminuição de estudantes da rede pública aprovados no vestibular 2018 e ficou abaixo da meta de receber 50% dos ingressantes nesta classificação, segundo a Comvest. Por outro lado, houve recorde de matriculados autodeclarados pretos, pardos e indígenas. Para alcançar as metas de receber 50% dos estudantes oriundos da rede pública - por curso e turno - e buscar índice de 37,5% de autodeclarados pretos, pardos e indígenas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Unicamp implementará, a partir da edição 2019, cotas étnico-raciais e outras mudanças, como a criação de um vestibular indígena e a criação de vagas extras para destaques em olimpíadas que tenham abrangência nacional. Confira detalhes. De acordo com site da Unicamp, atualmente há 34,6 mil alunos matriculados nos cursos de graduação e pós oferecidos nos campi de Campinas (SP), Limeira (SP) e Piracicaba (SP). Campus da universidade, em Campinas Antoninho Perri/ Ascom/ Unicamp Veja mais notícias da região no G1 Campinas.
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14/04 - 'Não escolhi sair do meu país, mas voltei por vontade própria', diz Malala sobre 1ª visita ao Paquistão após atentado do Talibã
Duas semanas após a visita-relâmpago ao seu país natal e à casa em que cresceu, Malala publicou um relato com fotos de sua viagem ao Paquistão cinco anos e meio após a família ter deixado o país. Malala posta com os pais e os irmãos no jardim da casa em que a família morava no Vale do Swat, no Paquistão, até outubro de 2012, quando ela sofreu uma tentativa de assassinato por parte do Talibã Reprodução/Twitter/Malala Quinze dias depois de pisar em visitar o Paquistão em uma viagem breve e marcada pela forte segurança das forças militares, a ativista paquistanesa Malala Yousafzai publicou um relato recheado de fotos sobre a sensação de rever seus amigos e sua casa cinco anos e meio após o atentado do Talibã que quase tirou sua vida. Em um texto publicado nesta sexta-feira (13) no site do Fundo Malala, ONG que ela criou para defender o direito das meninas do mundo todo à educação, a jovem vencedora do Nobel da Paz e atual estudante de graduação da Universidade Oxford contou alguns detalhes sobre a curta visita e como ela, seus pais e seus dois irmãos mais novos se sentiram de volta ao Vale do Swat pela primeira vez desde outubro de 2012. Segundo a jovem, a visita foi possibilitada pelo primeiro-ministro e pelo chefe das forças armadas do país. "Aterrissamos no mesmo heliponto de onde eu fui evacuada em uma maca", disse ela, que voou com a família do Reino Unido para Dubai e, dali, para Islamabad, a capital do Paquistão. Já em solo paquistanês, Malala chegou à região onde nasceu e viveu seus primeiros 15 anos em um helicóptero militar, cercada por um forte esquema de segurança que permitiu que ela visitasse o Vale do Swat apenas por poucas horas. Malala é vista fotografando o Vale do Swat, região no Paquistão onde ela nasceu e cresceu, em sua primeira visita ao país em quase seis anos Divulgação/Insiya Syed/Malala Fund "Embora o tempo parecesse ter parado, eu já estava de pé no meu quarto com meu irmão", recontou Malala sobre a velocidade do trajeto entre o heliponto e sua antiga casa. "Quando eu não voltei para casa da escola naquele dia em 2012, minha mãe se perguntou se eu um dia veria meu quarto de novo, se ela um dia teria um momento quieto com sua filha em nossa casa", continuou a jovem. "Ver-me ali deixou minha mãe tão feliz. Ela disse: 'A Malala deixou o Paquistão com os olhos fechados, agora ela retorna com os olhos abertos'" - Malala Malala posa em frente aos seus troféus escolares em seu antigo quarto no Vale do Swat, no Paquistão Divulgação/Insiya Syed/Malala Fund A ativista contou que, durante as poucas horas da viagem, conseguiu rever parte de seus amigos e parentes. "Mais de 500 de nossos amigos e parentes vieram nos cumprimentar com abraços e orações. Tiramos muitas fotos e eu adoro olhar para elas agora que já retorneu ao Reino Unido", disse. "Minha maior esperança é que não passem mais cinco anos e meio antes de eu ver os rostos deles novamente." Mais pessoas e mais segurança Malala também comentou sua impressão das mudanças sociais no Vale do Swat. Segundo ela, o crescimento populacional fez com que algumas áreas ficassem "congestionadas", já que há muito mais casas e pessoas no Swat do que em 2012. "Mas também há mais paz. Eu cheguei ao lado de uma colina e olhei para as montanhas do outro lado, onde o Talibã uma vez montou um quartel-general para suas forças na área – agora só há árvores e campos verdes." - Malala Ela disse, porém, que ainda há muito por fazer em seu país natal. "O Paquistão é o segundo, atrás da Nigéria, no ranking de crianças fora da escola, com 24 milhões de meninas e meninos sem acesso à educação hoje." "Meu sonho é ver todas as crianças do Paquistão na escola, com acesso a 12 anos de educação gratuita, segura e de qualidade, e trabalhando para construir um grande futuro para o meu país."
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14/04 - Enem 2018: para garantir isenção na taxa, estudante do 3º ano do ensino médio na rede pública precisa fazer pedido até domingo
Até as 17h50, quase 860 mil isenções haviam sido garantidas para concluintes do ensino médio de escola pública, segundo balanço do MEC; porém, no Enem 2017, número de concluintes isentos foi de 1,5 milhão. A partir do Enem 2018, estudantes com direito à isenção na taxa precisam fazer o pedido de isenção antes do período de inscrições; prazo termina às 23h59 deste domingo (15) Reprodução/ Inep O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) enviou, na noite desta sexta-feira (13), um alerta aos estudantes que atualmente cursam o terceiro ano do ensino médio em escolas públicas e pretendem fazer a edição 2018 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): apesar de terem direito à isenção da taxa de inscrição, os estudantes precisam fazer a solicitação da isenção pela internet até as 23h59 deste domingo (15). "Nos anos anteriores, para estes estudantes, o requerimento de isenção era gerado automaticamente no ato da inscrição. Mas este ano o procedimento foi modificado, com uma fase preliminar de pedido de isenção", alertou o Inep, em nota. É necessário entrar em uma página especial do site do Enem e preencher os campos com os dados pessoais. (Veja o passo a passo para o pedido de inscrição) Nesta edição, o valor a ser pago para fazer a prova é de R$ 82. Estão isentos aqueles que: estão cursando a última série do Ensino Médio, em 2018, em escola da rede pública declarada ao Censo Escolar; fizeram todo o ensino médio em escola da rede pública ou como bolsistas integrais na rede privada, e têm renda, por pessoa, igual ou menor que um salário mínimo e meio (R$ 1.431); estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica por serem integrantes de família de baixa renda e que possuam Número de Identificação Social (NIS), único e válido, e renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo (R$ 477) ou renda familiar mensal de até três salários mínimos (R$ 2.862); fizeram o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2017 e atingiram nota mínima para certificação. Em 2017, 3,24 milhão de candidatos (48,2% do total) conseguiram o direito à isenção, após comprovarem a renda. Outros 1,48 milhão (22,1%) não pagaram a taxa de inscrição por serem concluintes do ensino médio na rede pública. O restante dos inscritos - 1,99 milhão (29,7%) - pagou a taxa. Calendário do Enem 2018 15 de abril: último dia para solicitar a isenção da taxa de inscrição 23 de abril: resultados dos pedidos de isenção 23 a 29 de abril: intervalo para apresentar novos documentos, caso o pedido de isenção seja negado 7 a 18 de maio: inscrições do Enem (para todos os candidatos, isentos ou não) 4 e 11 de novembro: provas do Enem 2018
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13/04 - Como as mulheres passaram de maioria a raridade nos cursos de informática
Até mesmo pioneiras da área são pouco conhecidas do grande público; algumas universidades chegaram a ter alto número de mulheres em seus primórdios, mas homens hoje são maioria absoluta. Primeira turma de formados no curso de Ciência da Computação do IME/USP, em 1974, na qual as mulheres eram a maioria IME-USP Ada Lovelace, Mary Kenneth Keller, Grace Hopper, Dana Ulery, Hedy Lamarr e Kathleen Antonelli são nomes dos quais poucas pessoas já ouviram falar. Em contrapartida, Steve Jobs, Bill Gates e Mark Zuckerberg são conhecidos por quase todo mundo. O que essas mulheres e homens têm em comum é que dedicaram a vida ao universo dos computadores. O que os diferencia é a invisibilidade delas e a fama global deles, embora todos tenham dado grandes contribuições à informática. Além disso, elas foram pioneiras, em uma área com cada vez menos representantes do sexo feminino. Pode parecer surpreendente hoje dia, mas de fato existiu uma época em que as mulheres eram maioria nesse setor. Nos seus primórdios, essas máquinas eram usadas basicamente para realizar cálculos e processamento de dados, atividades então associadas à função de secretária. Daí serem utilizadas quase só por mulheres. Mas elas não se limitaram a isso. Muitas tiveram papel importante no desenvolvimento dos computadores e dos programas, que fazem essas máquinas ter serventia. Ada Lovelace ou Ada Byron, Lady Lovelace, filha do famoso poeta inglês Lorde Byron, por exemplo, desenvolveu o primeiro algoritmo da história, e Mary Kenneth Keller, uma freira americana, teve papel importante na criação da linguagem de programação BASIC. A professora Andreia Malucelli, coordenadora da pós-graduação em Informática da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), lembra ainda que Grace Hopper, por sua vez, criou a linguagem de programação Flow-Matic, hoje extinta, mas que serviu como base para o desenvolvimento de outra linguagem, a COBOL. "Já Dana Ulery foi a primeira mulher engenheira da Nasa e desenvolveu algoritmos para a automatização dos sistemas Deep Space Network, de rastreamento de tempo real da agência espacial americana", conta. A tecnologia usada nos telefones celulares e nas redes wi-fi também foi criada por uma mulher, no caso, Hedy Lamarr. Relação com a matemática Mas a contribuição das mulheres para computação não acaba aí. Há também Kathleen Antonelli, que com Jean Jennings Bartik, Frances Snyder Holberton, Marlyn Wescoff Meltzer, Frances Bilas Spence e Ruth Lichterman Teitelbaum programou o ENIAC, o primeiro computador eletrônico digital de propósito geral da história. De acordo com Malucelli, do início da década de 1970 até meados de 1980 houve um aumento de 10% para 36% da participação das mulheres entre os profissionais de computação, e a maioria dos estudantes era do sexo feminino. "Acredita-se que esse interesse das mulheres pela graduação nessa área tenha relação com o curso de Matemática", diz. "A primeira turma surgiu a partir da migração de alunos da licenciatura em Matemática, que sempre foi um curso predominantemente feminino." A partir de meados dos anos 1980, no entanto, as mulheres começaram a dar lugar aos homens na informática. Há uma profusão de dados que demonstram essa inversão paulatina, principalmente nos cursos superiores de processamento de dados e ciência da computação. Simone Souza, do Departamento de Sistemas de Computação e presidente da Comissão de Graduação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP São Carlos (ICMC-USP), diz que, até 1990, as mulheres eram predominantes. "Depois, entre 1990 e 2000, a proporção de gêneros se equilibrou e a partir de 2000 a quantidade delas foi caindo ano a ano", diz. Um levantamento do total de formandos no curso de bacharelado em Ciências de Computação do ICMC, que tinha 40 vagas até 2003 e, desde então, 100, mostra que, em 1997, se diplomaram 12 mulheres (48%) e 13 homens (52%), números que haviam caído, em 2003, para 4 (12%) e 27 (88%), respectivamente. O menor número de mulheres que concluíram o curso foi registrado em 2016: apenas duas (3%) ante 52 (97%) homens. Em 2017, elas chegaram a 12 (17%) dos 70 formandos. No Instituto de Matemática e Estatística (IME), também da USP, em São Paulo, a primeira turma de Ciências da Computação, formada em 1974, tinha um total de 20 alunos, dos 14 mulheres (70%) e 6 homens (30%). Em 2016, a turma contava com 41 alunos, dos quais apenas seis eram mulheres, ou seja, 15%. Força de trabalho Malucelli, da PUC-PR, tem números mais abrangentes. "De acordo com dados recentes divulgados por Facebook, Google, Twitter e Apple, as mulheres são apenas 30% dos funcionários nessas empresas", diz. "Em cargos técnicos, diretamente ligados à tecnologia, esse número diminui. No Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, elas representam apenas 20% dos mais de 580 mil profissionais da área de tecnologia da informação." Nas universidades não é diferente. Malucelli cita o Anita Borg Institute (ABI), criado nos Estados Unidos, para ajudar a aumentar a participação de mulheres na tecnologia, segundo o qual elas representam apenas 18% dos estudantes de todos os cursos de ciência da computação naquele país. "No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep, ligado ao Ministério da Educação), as mulheres representam 15% dos matriculados em cursos de tecnologia", completa. Ainda de acordo com Malucelli, um gráfico, publicado no dia 8 de março pelo The Statistics Portal, que reúne estudos e estatísticas de mais de 22.500 fontes, baseado em relatórios de diversas empresas de TI, indica que as mulheres representam entre 26% (Microsoft) e 43% (Netflix) da força de trabalho nas principais empresas da área. "Além disso, o estudo Women in Tech 2018, publicado pelo portal americano HackerRank, mostra que dos 14.616 desenvolvedores de software que responderam à pesquisa, pouco mais de 10% eram do sexo feminino", acrescenta Malucelli. Estereótipos Os motivos para esse afastamento têm sido pesquisados e discutidos ao longo dos anos e estão fortemente relacionados com estereótipos. "Após 1984, foram lançados os primeiros computadores com materiais de divulgação voltados para o público masculino, começando, assim, um desinteresse das mulheres", diz. Simone Souza levanta outra possível causa para a queda do número delas no mundo da informática. "Quando surgiram, os computadores pessoais foram primordialmente utilizados pelos meninos, voltados para os jogos", explica. De acordo com ela, as meninas nessa época não eram incentivadas a interagir com essas máquinas e, por isso, começaram a se afastar de áreas relacionadas à computação. "Outra razão que acredito ser importante para a baixa procura pelos cursos de informática pelas meninas é o pouco incentivo que é dado a elas para a área de exatas nos ensinos fundamental e médio", acrescenta. A pesquisadora Eliane Pozzebon, coordenadora do curso de Engenharia da Computação da Universidade Federal de Santa Catarina, lembra que, nos anos 1970, a área de informática não era tão valorizada - as máquinas tinham pouco processamento e memória. "O trabalho com os computadores era braçal e repetitivo, então acabava sendo realizado mais por mulheres", explica. Mas, para ela, o afastamento do sexo feminino dessa área não é exclusivo de um período. "Há também a questão cultural", diz. "Desde a nossa infância, os pais preferem bonecas para as meninas e videogames para os meninos. A figura do nerd sempre esteve associada ao menino."
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13/04 - Polícia retira estudantes que ocupavam prédio da Sorbonne, em Paris 
Não houve registro de confronto no prédio da universidade que fica no 5º distrito. Estudantes permanecem no anexo Tolbiac.  Polícia retirou estudantes que ocupavam prédio da Sorbonne, em Paris, na noite de quinta-feira (12) AFP A polícia retirou na noite de quinta-feira (12) estudantes que protestavam contra uma reforma universitária bloqueando o acesso a um prédio da Universidade Paris I Panthéon-Sorbonne, no 5º distrito de Paris. Não houve registro de confronto, informou a imprensa local. "Cerca de duas centenas de estudantes que estavam na Sorbonne desde o meio da tarde votaram pela ocupação e se recusaram a sair", declarou a Secretaria de Segurança Pública de Paris, de acordo com a Rádio França Internacional (RFI). A reitoria da universidade afirmou que os estudantes optaram pela ocupação “como parte da oposição à reforma do acesso à universidade, e depois de três horas de negociações malsucedidas com eles, o reitor exigiu a intervenção da polícia”. Ocupações contra mudança Em diversas cidades francesas, universidades foram bloqueadas por vários dias ou semanas por estudantes que denunciam a lei "ORE", lei que muda o acesso às universidades francesas. Para os opositores, a proposta vai fazer com que a inscrição se transforme em um processo seletivo discriminatório e baseado em critérios que só vão aumentar ainda mais as desigualdades sociais da França. Presidente francês, Emmanuel Macron, deixa TV TF1, em Berd'huis, na França, na quinta-feira (12) Gonzalo Fuentes/ Reuters Já o centro Tolbiac, um dos anexos da prestigiosa universidade Sorbonne de Paris no 13º distrito, está “ocupado” e funciona de maneira diferente desde o dia 26 de março. O presidente da Universidade de Paris I Panthéon-Sorbonne, Georges Haddad, havia pedido na segunda-feira (9) a intervenção da polícia para esvaziar esse campus. Ele considerou que "a gravidade da violência observada" já não permitia garantir a segurança das pessoas e pediu "ao secretário de Segurança Pública para ajudar a restaurar o funcionamento normal do centro". De acordo com a Secretaria, o secretário Michel Delpuech não respondeu a este primeiro pedido, sustentando que as "condições técnicas e de oportunidade" não foram cumpridas. Na noite de quinta-feira, agentes de segurança estava em frente ao centro Tolbiac, criando uma expectativa de uma segunda intervenção policial, que, finalmente, não se concretizou. Os estudantes permanecem no local. A RFI informa que quatro universidades seguem completamente bloqueadas: Montpellier, Toulouse, Rennes 2 e a Universidade de Paris 8 Saint-Denis. Uma dúzia de universidades estão com suas salas e anfiteatros ocupados.
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13/04 - Inspirado em filme, projeto em escola pública de Piracicaba estimula reflexão e resulta em dois livros escritos por alunos
'Sociedade dos Poetas Vivos' existe desde 2015 como aula eletiva de um colégio de período integral. 'Perdi um filho e ganhei 380', conta professor que criou a iniciativa. Projeto Sociedade dos Poetas Vivos, em escola estadual de Piracicaba Arthur Menicucci/G1 As carteiras organizadas em fileiras dão lugar a um círculo formado por alunos de 11 a 16 anos. Ao centro, um enérgico professor de história de 37 anos que, em 1hora e 40 minutos, discute com os atentos participantes sobre educação, filosofia e a formação da sociedade a partir de obras clássicas da filosofia, filmes e música. Bem-vindos ao projeto "Sociedade dos Poetas Vivos", da Escola Estadual Manassés Ephrain Pereira, no bairro Monte Líbano, em Piracicaba. O projeto, aplicado como aula extracurricular eletiva no colégio de ensino integral, está no quarto ano de existência e já rendeu a publicação de dois livros escritos pelos alunos, que colocam no papel as reflexões propostas. As publicações ocorreram em 2016 e no ano passado e cada uma teve tiragem de mil exemplares entregues nas escolas de Piracicaba, aos professores e aos próprios autores. O projeto, no entanto, vai muito além do resultado concreto dos livros. Quando idealizou a aula, o professor de história Rodrigo Mendonça Mendes buscava “transformar ao menos uma vida”, como ele mesmo define. O que conseguiu, no entanto, foi mudar a forma de ver o mundo de dezenas de estudantes por meio do convite à reflexão e do amor pela escrita. O nome leva a óbvia referência ao filme Sociedade dos Poetas Mortos, de 1989, em que o professor John Keating (Robin Williams) propõe uma visão de mundo diferente da que é oferecida no ensino regular tradicional. Para isso, o personagem utiliza obras de escritores e filósofos que não estão na base do ensino da época. Professor de história Rodrigo Mendonça Mendes é o criador do projeto 'Sociedade dos Poetas Vivos' Arthur Menicucci/G1 ‘Quem nós somos? Nós somos pensadores’ Na aula que inaugurou o projeto em 2018, a sala tinha 40 alunos. O único ventilador se esforçava para amenizar o calor, mas a temperatura não era suficiente para desviar os olhos atentos dos jovens. O professor começa já com uma indagação. “De onde vem o nome dessa aula?”. Da explicação sobre a referência do longa-metragem, o professor inicia um diálogo sobre o funcionamento da sociedade e a formação da educação regular. Em seguida, assume a metodologia do projeto. “Quem nós somos? Nós somos pensadores. Filósofos”. As aulas ocorrem às quintas-feiras no período vespertino, quando Mendes e os alunos se reúnem e debatem temas que flutuam entre as obras de autores como Michel Foucault e Jean Paul Sartre e filmes como 'O sequestro do Ônibus 174' (2002) e 'O Cheiro do Ralo' (2006). Há, ainda, o uso de músicas, como Another Brick In The Wall, de Pink Floyd. No dia seguinte os jovens devem escrever sobre as reflexões. Desses textos surgiram os dois livros publicados: "A Sociedade dos Poetas Vivos - O Essencial é Invisível aos Olhos" e "A Sociedade dos Poetas Vivos – 2017 – Reflexões Filosóficas". Mendes garante que só escreveu o prefácio de cada um e fez a revisão ortográfica. O restante surge da cabeça do jovens. Aulas ocorrem às quintas-feiras e no dia seguinte cada aluno deve colocar as reflexões no papel Arthur Menicucci/G1 O ensinamento parece ser bem passado. Quatro alunos que já deixaram a escola, mas frequentaram as primeiras turmas da aula eletiva responderam ao G1, quase em uníssono, o que mais levaram da experiência: a amizade, que é revelada na união dos colegas. Os repetidos abraços e as mãos dadas enquanto caminham pela escola mostram o apoio de uns aos outros. Legado A jovem Suyane Honorato, de 14 anos, participou da aula eletiva entre 2016 e 2017 e é uma das autoras do último livro. “Eu não tinha personalidade própria, escutava as músicas que as pessoas gostavam para tentar me enturmar, as roupas que eu usava eram por influência das amigas e hoje em dia eu me visto do jeito que eu quero, eu escuto as músicas que gosto”. A estudante, que está no primeiro ano do ensino médio e carrega nas palavras a vivacidade da juventude que anseia por dias melhores, não demonstra dúvida sobre o futuro: quer cursar filosofia. Amigas, Suyane e Bianca participaram juntas das aulas eletivas da Sociedade dos Poetas Vivos por dois anos em Piracicaba Arthur Menicucci/G1 Bianca Ferro, de 14 anos, frequentou o projeto na mesma turma que Suyane e afirma que a aula ajudou a criar reflexões sobre a vida. “Me ajudou a refletir sobre a vida, porque muitas pessoas ditam o que acreditam que é certo e a gente acredita. Então não temos nossa própria opinião, nossa forma de pensar. A aula ajuda nisso”. Rubens Andriotta Ribeiro, de 19 anos, fez parte da turma inaugural da Sociedade dos Poetas Vivos, em 2015, e diz como foi a primeira impressão da aula. “Quando fizeram a proposta da eletiva, a única coisa que foi revelada era que ia debater filosofia e sociologia, só que a gente não imaginava que ia ser uma coisa tão impactante como foi. E mudou a minha vida”. João Pedro Miranda, 17 anos, é outro estudante que participou da primeira edição do projeto. “Mudou minha vida porque antes eu não era uma pessoa de ter opinião própria, não era objetivo no que pensava. Comecei a pensar de outra forma”. “Uma coisa que tem muito na eletiva é debate, no começo quase ninguém debatia por timidez. Aí depois quando a gente foi se soltando, começaram os debates, uma eletiva mais gostosa de se fazer”, relembra Miranda. João Pedro Miranda, Rubens Ribeiro, Suyane Honorato e Bianca Barbosa são ex-alunas do professor Rodrigo Mendes, de Piracicaba Arthur Menicucci/G1 “É um pai” Também em uníssono surge a resposta sobre a importância de Mendes para os alunos. Ribeiro se antecipa. “Eu e ele [aponta para João] não tivemos pais, então é bem essa a representação.” Suyane interrompe. “Pra mim também”, e é complementada por Bianca, que corrobora com a visão dos colegas. “Por ser período integral, você tem muito mais tempo com o professor, pode debater com ele e nem sempre é só sobre escola, pode ser sobre um problema pessoal”, diz Ribeiro. “Às vezes, você precisa de uma opinião de fora para resolver seus problemas”. Rubens Ribeiro formou no ensino médio em 2017 e afirma que enfrenta momentos tortuosos, mas carrega a amizade e os ensinamentos do professor para superar. “Eu passei por muita turbulência, eu perdi minha mãe faz seis meses. Então eu estou passando por um processo de mudança”. ‘Perdi um filho e ganhei 380’ Da resposta dos alunos surge a coragem do professor para contar o porquê do sentimento ser recíproco. Ele introduz com uma passagem do filme "Cheiro do Ralo" em que o personagem principal, sentado em um sofá, afirma enquanto fuma que “de todas as coisas que tive, as que mais me valeram e as que mais sinto falta são aquelas que não se pode tocar, são aquelas que não estão ao alcance das mãos e não fazem parte do mundo da matéria”. O professor natural de Ipatinga (MG) explica a motivação intrínseca para criação do projeto. “Um grande objetivo da Sociedade dos Poetas Vivos, que também é dos Poetas Mortos, enquanto lá eles querem extrair a essência da vida, o da gente é valorizar aquilo que a gente não pode ver. E uma das coisas que eu não posso ver, mas que eu sinto muito forte é que era para eu ser pai em 2003 e meu filho faleceu antes de nascer, na gestação”. “Eu perdi algo lá em 2003, uma coisa que só posso sentir e, se a gente for analisar a idade deles hoje em relação ao do nascimento do meu filho, dá 14, 15 anos. Eles têm essa idade, então o sentimento paternal que eles têm por mim é coerente, por que eu perdi um filho em 2003 e ganhei 380 em 10 anos”. Jovens participaram da construção de dois livros nas aulas da Sociedade dos Poetas Vivos de Piracicaba Arthur Menicucci/G1 Continuidade O professor explica que as aulas eletivas são decididas em pleitos definidos pelos estudantes. Os professores elaboram as matérias e oferecem aos membros do corpo discente, que escolhem de quais participarão. A Sociedade dos Poetas Vivos existe desde 2015 e quase não foi renovada para 2018. Foi a iniciativa dos novos alunos da escola que motivou Mendes a abrir nova turma, que segue até, pelo menos, o fim de 2018. E, mesmo que o docente tenha outros projetos em vista, são os quatro ex-alunos que garantem a existência da sociedade, até mesmo fora do colégio. “Nós queremos levar isso para a comunidade, montar um grupo para proporcionar o que nós vivemos a mais gente”, afirma Suyane Honorato. “Mesmo se o professor não quiser, porque isso aqui já ficou maior que ele, maior que todos nós”, garante Rubens Ribeiro. Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba
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13/04 - Estudantes ocupam prédio da Sorbonne sob ameaça de repressão policial
Manifestantes ocupam um dos prédios da prestigiosa instituição francesa em protesto contra as mudanças no ingresso de novos estudantes, anunciadas pelo governo Macron. Presidente francês, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira (12): proposta de mudança no processo seletivo para a Sorbonne desencadeou ocupação estudantil Gonzalo Fuentes/ Reuters Diversas faixas na entrada, pichações nos muros, carteiras e cadeiras dispostas aqui e ali, uma dispensa e uma cozinha improvisadas. Os sinais deixam claro a todos os visitantes que o centro Tolbiac, um dos anexos da prestigiosa universidade Sorbonne de Paris, está “ocupado” e funciona de maneira diferente há várias semanas. A RFI conversou com os manifestantes para entender suas reivindicações.   Para os estudantes matriculados, o local está “bloqueado”, o que significa que eles oficialmente não têm aulas. Mas os manifestantes argumentam que as portas da instituição de ensino nunca estiveram mais “abertas” do que agora – o que é verdade no sentido de que qualquer um, aluno ou não, entra e participa como quiser do movimento, seja como voluntário, seja como beneficiário dos vários seminários, conferências e ateliês oferecidos pelos organizadores do protesto. A ocupação começou no dia 26 de março, em resposta ao projeto de lei do governo Macron que pretende alterar as condições de ingresso às universidades francesas. Para os opositores, a proposta vai fazer com que a inscrição se transforme num processo seletivo discriminatório e baseado em critérios que só vão aumentar ainda mais as desigualdades sociais da França. Mas dentro da lógica da “convergência de lutas” entram na pauta da ocupação outras reivindicações como uma reforma do ensino superior, uma recepção mais ativa e humanitária dos migrantes, e, um pouco mais utópica, uma sociedade menos individualista e “privatizada”. Desde que começou, a ocupação passou por vários episódios conflituosos. Já no dia 28 de março, a sala da União dos Estudantes Judeus da França foi encontrada destruída. "Nossa sala foi atacada, um armário foi jogado ao chão, nas paredes estava escrito 'Morte à Israel'", declarou a estudante Sacha Ghoslan, que prestou queixa contra os manifestantes. No dia 6 de abril, cerca de 25 pessoas tentaram entrar na ocupação com tacos de baseball e garrafas para expulsar os estudantes. No dia 8, os seguranças do local encontraram cinco coquetéis molotov na universidade – mesma data em que os ocupantes se recusaram a dialogar com o deputado Buon Tan, do partido da República En Marche, que compareceu ao local. Nesta quinta-feira (12), o clima descontraído, entre rodas de conversa, tarefas de limpeza e refeições compartilhadas, não deixou transparecer a tensão que ronda a ocupação desde o anúncio do presidente da Universidade, Georges Haddad, de que ele enviaria forças policiais ao local para retirar os manifestantes. Isso sem falar nos ataques de militantes da extrema-direita que tentaram invadir e desmantelar a ocupação na noite de 6 de abril. Os estudantes entrevistados afirmam não ter medo, mas nenhum deles quis mostrar o rosto para as fotos, nem revelar o nome. "Se a polícia vier, e ela com certeza virá, veremos o que acontece. Me oponho à decisão de Haddad, acho hipócrita que ele tenha se eleito prometendo nunca enviar policiais à Universidade, e que agora ele ceda à pressão do governo", diz Sophie, de 20 anos, que prefere não se identificar como "estudante" por acreditar na mistura social e profissional proposta pela ocupação. "O status de estudante quase não existe mais, a maioria tem que trabalhar". Para Sophie, a ideia da ocupação, além de se posicionar contra a reforma do ingresso à universidade, é mostrar que o ensino superior pode e deve ser feito seguindo outra lógica. "Certos cursos podem parecer estranhos na universidade, apesar dela ser um lugar de produção intelectual, e esse também é nosso objetivo: mostrar que há outros tipos de saberes. Tivemos aqui formações para participar de manifestações, de primeiros socorros, de produção de cartazes. Isso tudo é saber, diferente daquele que nos é imposto", afirma. "As pessoas acham que não temos mais aula porque não há o esquema universitário hierárquico de um professor que transmite um saber que você recebe. É muito mais horizontal, mais diversificado, é por isso também que lutamos. Não queremos uma universidade que nos impõe um só tipo de saber". Universidade alternativa O modelo da "universidade ocupada" de Tolbiac parece funcionar, mesmo para quem não está satisfeito com a ausência de aulas oficiais e preocupado com as provas de fim de semestre, como Arthur, de 20 anos, estudante de Cinema na Sorbonne. "Até que as atividades propostas pelos manifestantes são interessantes, a organização é bem feita, mas o que me incomoda de verdade é a instabilidade quanto às aulas e às notas. Tem gente que se esforça para estar aqui, para ter um diploma, e eles estão atrapalhando isso. Concordo com as ideias, mas sou contra a ocupação. Se continuar assim, o que fazemos? Aprovamos todo mundo? A ideia de dar a nota mínima a todos é estúpida", critica o aluno, que faz alusão à sugestão dos protestantes de que todos fossem aprovados com uma nota média. Mas a obtenção de um diploma e a manutenção do sistema de atribuição de valores é, para Philippe, de 22 anos, estudante de geografia, uma das coisas às quais a manifestação faz oposição. Segundo ele, as notas são como "o salário" do aluno, uma espécie de recompensa. "Aqui na ocupação as pessoas aprendem, leem livros, produzem. É a primeira vez que alguns fizeram as tarefas de casa para outras pessoas. Essa experiência permite a conexão com coisas da vida concreta, do cotidiano, e acaba com essa lógica burguesa das universidades, porque os alunos do ensino superior são pessoas que foram selecionadas, de uma certa forma. Não devemos fazer oposição ao projeto de lei, por princípio, mas a uma ordem social", argumenta. Onda da extrema-direita Philippe estava presente no dia do ataque de militantes da extrema-direita, quando, segundo ele, cerca de 20 pessoas tentaram agredir e expulsar os manifestantes da ocupação à força. “Eles atiraram objetos e bombas de gás contra nós. Em resposta, os ocupantes da universidade atiraram objetos de volta, para que eles partissem, porque não sabíamos quantos eram, se queriam entrar, e com a experiência de Montpellier estávamos bastante inquietos. Os estudantes reagiram muito bem e não houve feridos”, conta. O caso, como lembra Philippe, não é o primeiro na França: aconteceu também em Montpellier no dia 22 de março. A participação de professores num dos ataques contra os estudantes grevistas chocou os franceses. “Os militantes fascistas são profundamente reacionários, os protestos e a defesa dos direitos de minoria é uma coisa que os enlouquece. As manifestações estudantis são próximas dos movimentos pela igualdade de gênero, LGBT, antirracista, então eles utilizam o pretexto da obstrução das aulas para atacar o que eles queriam desde o início: as pessoas da esquerda”. Nova página na história A importância da ocupação e o que ela representa hoje na França, quando diversas greves acontecem por todo o país e o espírito de Maio de 1968 tem sido referenciado, é a razão por trás das tentativas de repressão do movimento. Essa é a lógica de Simon, de 20 anos, estudante de História. “O fato de que hoje querem enviar a polícia e de que fascistas nos atacaram mostra que o que está sendo feito aqui tem um impacto. É porque algo de importante está acontecendo aqui que eles tentam nos reprimir”. Pierre, também de 20 anos e estudante de história, compartilha a tese do amigo. “Se eles nos atacam é porque eles têm medo da gente e do nosso movimento e porque temos ganhado visibilidade na França”, afirma. Mas apesar da grandeza que as manifestações têm tomado, Pierre permanece cético quanto a um novo “Maio de 1968”. “Maio de 1968 e abril de 2018 podem se parecer em alguns aspectos, mas estamos falando de duas épocas diferentes, com mentalidades diferentes. Os modos de mobilização eram outros, também”. Pierre tem razão: boa parte das ações estudantis organizadas hoje contam com o apoio da internet e das redes sociais. No Facebook, os manifestantes usam diversas páginas para criar e compartilhar eventos, comunicados e informações sobre a vida nas universidades ocupadas. Retorno às raízes de manifestação francesas ou criação de um novo modo de mobilização: para os ocupantes da unidade Tolbiac esse não é o foco da manifestação. Mais importante é poder escrever um novo capítulo na história da França e ter o reconhecimento da luta que estão levando adiante. “Tem muitas informações falsas sobre as ocupações. Nos retratam como selvagens, violentos, utópicos e sonhadores. Mas nunca como vários indivíduos que tentam refletir juntos a problemas graves da sociedade”, critica Philippe.
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12/04 - Casos de bullying aumentam 8% em escolas estaduais de SP, diz secretaria
Foram 564 casos registrados em 2017, 80 a mais do que no ano anterior. Número de ocorrências pode ser maior, já que muitos alunos não denunciam a prática. Iniciativas dentro das escolas ajuda no combate ao bullying entre estudantes Os casos registrados de bullying registrados em escolas estaduais de São Paulo aumentaram 8% em 2017, em relação ao ano anterior. Os número foram fornecidos pela Secretaria de Educação do estado. No ano passado, o órgão recebeu a denúncia de 564 casos, 80 a mais do que em 2016. O número de vítimas de bullying pode ser maior, porém, pois, muitas vezes, as crianças e adolescentes não denunciam a prática. Na Escola Estadual Jornalista David Nasser, no Capão Redondo (Zona Sul), a iniciativa do professor Victor Moraes Filho foi transformar o bullying em uma peça de teatro. “Assim você influencia tanto as pessoas que praticam o bullying a parar, porque sabem que é uma coisa errada, quanto a quem sofre a não ficarem caladas e pedir ajuda”, diz a estudante Giovana Oliveira Silva, que participa da atividade. Já em outra unidade, no Jardim Esmeralda (Zona Oeste), a coordenação colocou um painel em cada classe com um espaço para que cada aluno informe como está se sentindo. Quando um estudante acumula muitos sentimentos negativos, os professores podem ficar mais atentos. Um grupo de diálogo também existe para apoiar quem quer se abrir. A Secretaria Estadual da Educação disse que o bullying é objeto de trabalho de diversos projetos e que 3.500 profissionais da educação já atuam como mediadores de conflitos. A secretaria também diz que pretende ampliar esse número de profissionais ainda em 2018.
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